Eu provavelmente vivi boa parte da minha vida sofrendo com sintomas que só recentemente vim a saber que faziam parte de um quadro de hipotireoidismo. Muita coisa mudou, inclusive meu corpo. E aqui eu conto como estou vivendo com essa tireóide preguiçosa e o que venho fazendo para tratar dela!
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Vivendo com hipotireoidismo: como descobri e o que estou fazendo para reverter

 

Quem me acompanha aqui há mais tempo (obrigada pela companhia, aliás! ♥), deve se lembrar que a minha história de emagrecimento estava sendo bem sucedida até 2015. Eu havia perdido 20kg, mas em algum momento, no ano passado a história mudou e eu engordei de novo quase tudo o que havia eliminado.

Tudo começou a desandar quando me lesionei e, na angústia para me tratar rápido e poder correr minha meia maratona, eu fiz uso de corticóides bem fortes. Lembro que não demorou muito para eu começar a ver o peso aumentando exponencialmente e as roupas “encolhendo”.

Pra vocês terem noção do estrago: cheguei a ficar quase 3 meses sem menstruar, meu intestino travou e eu cheguei a passar mais de 10 dias constipada, inchada, retida, mau humorada, com a pele detonada (obviamente). Uma distenção abdominal sem fim – tudo o que eu comia me estufava e me enchia de gases! Eu chorava muito e por qualquer motivo. Chorava por tristeza, chorava por cansaço, chorava por raiva da minha situação naquele momento. Chorava por não ter as respostas que eu precisava e, por isso, não encontrava as soluções pra mudar o que me incomodava. Então eu comia em grandes quantidades. E, como já havia me iniciado na Paleo e retomado a LCHF, eu comia grandes quantidades de gordura. Sim, tudo de ótima qualidade, mas em excesso, muito além das minhas necessidades diárias.

No final das contas, eu havia trocado o objeto da compulsão: em vez dos carbos e açúcar, eu descontava nas nuts e nos queijos. Isso quando eu não jacava na carbolância, e aí, vocês já sabem que a somatória não pode dar bom resultado.

Por mais que muita gente ache isso algo fútil, a minha autoestima ficou destroçada de novo, por mais que eu tentasse manter o ânimo, o foco e a motivação – por mim e por vocês também, claro.

Como descobri o que estava errado?

Até que nos últimos meses de 2015, por uma obra do destino (ou qualquer que seja o nome que vocês deem a isso), conheci o Dr. Aloisio Vargas, que hoje é meu endocrinologista e amigo querido, e ele me pediu uma batelada de exames de sangue, ultrassom de mama e tireoide, além de exames clínicos. Tudo isso levou a um diagnóstico: hipotireoidismo.

O meu tipo é o sub-clínico: uma versão mais branda e reversível, mas que exige tantos cuidados quanto Hashimoto para que não venha a se tornar algo crônico de fato. Uma boa notícia, enfim!

Eu só teria que ter paciência, porque o tratamento consiste em tomar medicamento, observar sintomas e repetir exames e, aí, se for o caso, reajustar as dosagens das substâncias – e assim vai, até encontrar a fórmula perfeita que resolva os problemas juntamente com outros cuidados que eu vou contar ainda nesse post.

Neste post onde entrevistei o Dr Aloisio, ele explica melhor por que muitos casos de hipotireoidismo não são detectados pelos médicos.

Mas o que causou o meu hipotireoidismo, afinal?

Não dá pra saber ao certo o gatilho do hipotireoidismo, nem há quanto tempo eu venho carregando isso comigo.

Se eu for analisar pelos sintomas, não é de hoje que sofro dessa disfunção. Há muitos anos eu vinha me “conformando” com cansaço, sono em excesso, humor depressivo e instável, intestino preguiçoso (e muitos episódios de prisão de ventre), pele ressecada, muita queda de cabelo, unhas fracas e finas, falta de concentração e memória falha. “Eu sou assim mesmo, preciso aceitar e aprender a lidar com isso” – esse era meu mantra diário.

Lógico que tudo isso era altamente frustrante pra mim. Eu não gostava de me sentir desse jeito e não achava nem um pouco justo, ainda mais depois que mudei todo o meu estilo de vida: eu queria que toda essa mudança realmente fosse refletida no meu corpo, dentro e fora. Eu queria DE FATO me sentir 100% funcional, afinal, nós evoluímos pra isso!

Então, pode ser que eu já tivesse com a tireóide sensibilizada (devido a anos de alimentação com agrotóxicos, BPA, glúten, carboidratos, açúcares, gordura trans, soja e transgênicos, cortisol descontrolado etc) e o uso dos corticóides apenas tenha sido a última gota d’água.

Não sei. São só hipóteses. Pecinhas de um quebra-cabeça que, quando juntas, fazem sentido. Mas não dá pra afirmar nada com muita certeza do tipo “foi ISSO” ou “foi AQUILO”. Foi um efeito dominó que vem acontecendo há muitos anos já.

Mas hipotireoidismo engorda mesmo?

Essa figura explica o que acontece quando temos hipotireodismo:

(roubei do facebook do Dr Aloisio!)

(roubei do facebook do Dr Aloisio!)

É lógico que eu acho que tem muita gente aí torcendo pra ser diagnosticado com hipo pra justificar a obesidade provocada pelo desleixo mesmo. Mas veja só, com todas as alterações químicas que ocorrem no cérebro pelos baixos níveis de HT, é bastante comum que a gente engorde por causa dos SINTOMAS e não pela doença em si – entendem o que quero dizer?

Eu por exemplo me sentia tão triste, tão instável, que só pensava em comer. E pra não cair de boca nos carbos, eu arregaçava nas gorduras. Mas vez ou outra, acabava me rendendo aos carboidratos e açúcares sim – daí junta excessos de carbs e gorduras e aí não há santo que impeça de engordar!

Além disso, tem a retenção de água aumentada pelo hipotireoidismo que nos faz inchar MUITO (esse é um problema que tô tendo super dificuldade de resolver, diga-se de passagem), o intestino preguiçoso e até mesmo o ciclo menstrual irregular… Condições que não favorecem muito a perda de gordura, certo? Pelo contrário: a gente vira uma bexiga que só vai acumulando – de gordura a toxinas que deveriam ser naturalmente eliminadas pelo corpo.

E aí quando a gente se vê nesse quadro sem entender o que realmente se passa, achando que é tudo culpa nossa porque “não temos vergonha na cara” ou porque “não temos força de vontade”, tudo fica mais difícil e pior: desanimamos, mandamos tudo pro espaço, comemos e bebemos pra descontar a frustração, daí nos sentimos culpados por isso e ficamos tão angustiados pela culpa que repetimos o ciclo da compulsão. E a vida vai seguindo assim até que chegamos num quadro de obesidade e síndrome metabólica.

Mesmo assim, o que tem que ficar claro é que não é impossível emagrecer tendo recebido esse diagnóstico. A questão é que a gente precisa ralar duas ou até três vezes mais pra ver os resultados. E isso pode ser desanimador sim, não vou negar.

O fato é que a nossa tireóide tem várias particularidades que a gente nem imagina: neste post AQUI falo um pouco sobre isso.

O que venho fazendo pra me cuidar desde então?

Medicação

O Dr Aloisio vem me dando uma super força nesse sentido, cuidando da minha medicação (tanto pro hipotireoidismo, quanto pra fadiga adrenal e também pra minha testosterona que estava um pouco aquém do esperado – consequência do quadro como um todo, acredito eu), dos vestígios da minha resistência insulínica (que melhorou MUITO desde que iniciei e LCHF e depois a Paleo!), do meu sono e ainda sempre me orientando com relação a n outras coisas.

O que eu mais amo no Dr Aloisio – sim, eu sou pura rasgação de seda quando o assunto é ele! – é que ele é desses médicos que olham pra gente como um todo, sabe? Até mesmo porque o sistema endócrino envolve todas as funções do nosso corpo e consequentemente todos os órgãos também. Mesmo sabendo disso, a quantidade de endocrinologista tapado que a gente encontra não tá escrito, viu? Não sei quanto a vocês, mas a maioria dos endócrinos com quem me consultei só queriam tratar o meu peso, como se ele fosse o problema e não o sintoma de algo maior e mais sistêmico. Daí eu saía do consultório com receita de metformina (tomei por 10 anos!) e sibutramina (tomei em vários momentos da adolescência e vida adulta), dieta low-fat de 1000kcal/dia pro resto da vida e um puta desânimo de seguir todas essas orientações porque eu já sabia que não ia conseguir ir além dos primeiros dias.

A medicação vai sendo alterada conforme vou notificando o Dr Aloisio sobre os sintomas, se melhoraram (sinal de que a medicação está cumprindo seu papel muito bem e a dosagem está boa) ou se voltaram a ficar mais intensos (sinal de que aquela dosagem já deu e precisa sofrer um upgrade). Por isso, a paciência que eu mencionei lá em cima: altos e baixos continuam acontecendo, mesmo medicada, e eles orientam o meu médico sobre o que precisa ser feito.

Alimentação

Permaneço na Paleo/LCHF e mais apaixonada pelo meu estilo alimentar a cada dia que passa, a cada artigo ou post que leio a respeito, a cada aula na faculdade que consigo linkar com a minha vida pessoal.

A Paleo é fantástica pra gente que sofre de hipotireoidismo porque é uma linha que naturalmente já prevê a retirada de tudo o que nos faz mal nesse quadro: glúten, açúcares e carboidratos “do mal”, gorduras hidrogenadas vegetais (trans), transgênicos, agrotóxicos, produtos industrializados e processados, cereais e grãos…

Continuo com o acompanhamento da nutricionista Louise Hamoy, que vem me ajudando muito no controle dos macronutrientes com foco em perda de gordura.

Treinos

Acho que a única coisa que não me deixa desanimar com os treinos é o meu amor por eles, de verdade. E olha que mesmo assim tem dias que não tenho o menor tesão em me movimentar.

Continuo firme e forte com a corrida e os treinamentos funcionais e HIIT com a GO e com meu personal (o André, que também me treina pela GO durante a semana). Só dei uma pausa nesse momento no Crossfit, lá na Gambaru, por causa do HCG, mas pretendo retomar em breve também!

São poucos os dias em que me rendo. Na maioria, eu me motivo com uma boa dose de café e de visualizações mentais das coisas boas que eu sei que o treino vai agregar ao meu dia. E assim eu vou. Nem sempre rende, mas pelo menos eu não me rendo. E assim vamos: dias bons e dias ruins, assim como todo mundo.

********

Não sei até quando terei hipotireoidismo, mas vou vivendo um dia por vez e compartilhando tudo com vocês, claro =)

Nos próximos posts, vou falar sobre alimentação em casos de hipotireoidismo e dicas do Dr Aloisio pra quem, assim como eu, sofre de disfunção da tireóide e quer/precisa perder gordura. Se vocês tiverem dúvidas ou sugestões de posts, me mandem, ok? É só deixar seu comentário aqui embaixo ou me enviar um email pra contato@vidafit.com.br

AH! Se você curtiu esse post, me ajude a fazê-lo chegar a mais pessoas – sempre pode ajudar alguém que esteja passando pela mesma situação, né? Compartilhe!!!

6 Comments

  • Helen

    May 25, 05 2016 03:24:31

    Oi, tb tenho hipo a mais de 5 anos, e nessa historia ganhei 23 kls, consegui perde 3, mas ta tao dificil, tenho uma indisposiçao muito grande, to me esforçando pra realizaa aerobicos, e na alimemtaçao to ate bem, mas uns dias a depresaao vem e com ela a loucuras por comer doces e industrilizados. Se tiver dicas, para me ajudar, estou a disposiçao. Bjos

  • Naíza Costa de Souza

    July 26, 07 2016 04:58:32

    Oi.Eu tenho diabetes alta sabe e sou obesa.Faço exame da tiroide e da normal.Só que sou desanimada e indisposta demais.Será que tenho hipotiroidismo?

    • Ticiane Toledo

      July 28, 07 2016 12:50:07

      Pode ser, Naíza. Infelizmente, não dá pra afirmar porque não sei quais exames você faz e também porque não sou médica. Mas você tem um quadro que não favorece a tireóide. O ideal é rever sua alimentação e tentar uma abordagem lowcarb pra regularizar sua diabetes (e reverter se for do tipo 2) e sair do quadro de obesidade. Além disso, incluindo mais gordura na sua dieta (a gordura natural dos alimentos), você tende a se sentir mais satisfeita e disposta. Quanto mais natural sua alimentação, melhor a saúde da sua tireóide e do corpo como um todo!

  • Alessandra Freitas de Barros

    October 10, 10 2016 04:38:21

    Olá…sem querer achei seu blog.
    Então, nunca tinha tido isso, até que em nov/2015 precisei retirar minha tireóide por conta de nódulos e desde então estou sofrendo com o hipo! Jà troquei 4 vezes a dosagem do meu hormonio…estou treinando de segunda a sabado na academia e percebi que estacionei no peso…exatamente por conta dos hormonios que desrregularam novamente.
    Sinto tudo que vc descreveu e sei o que é e como é horrivel.
    Mas continuamos na luta né? um beijo

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 11:39:14

      Oi, Alê! Que bom que o post foi útil pra você. Não tenha pressa nesse ajuste da tireóide, viu? Aliás, quanto menos você se estressar melhor porque o excesso de cortisol pelo stress joga contra a gente nessa recuperação. Então relaxe e confie no profissional que te acompanha, siga as recomendações dele, melhore seus hábitos de vida. Logo logo você estará boa! Vou aguardar notícias suas, hein? Beijão.

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