Exercícios são um passo a frente. Mas uma dieta pobre são dois passos pra trás. Você não pode competir com o que come.
1 Gostou

Por trás da obesidade: açúcar e carboidratos, não a atividade física (ou a falta dela)

Mais um artigo que eu achei bastante esclarecedor pra quem acha que dá pra “compensar” uma dieta ruim se matando na academia depois.

Uma vez ou outra, ok, mas sempre não rola, amgs. É como ser um rato correndo naquela rodinha, achando que vai sair do lugar. É, então, não vai, sorry.

Leiam o texto (traduzido livremente por mim; original aqui) pra entender melhor quem é que está realmente por trás da obesidade e da dificuldade em conquistar um corpo mais magro.

Boa leitura!

.

Muitos de nós sem dúvida compartilham da filosofia “correr para poder comer”. Eu sei que compartilho. Mas especialistas agora estão dizendo que esse é um mito e que você não pode compensar uma dieta ruim com exercícios físicos.

De acordo com um editorial recente do British Journal of Sports Medicine escrito por três especialistas em biologia humana, enquanto o exercício físico pode minimizar ou até evitar as mais comuns e debilitantes doenças, quando o assunto é perda de peso, o pecado mora mesmo é na dieta.

“Um relatório recente da Academy of Medical Royal Colleges, no Reino Unido, descreveu o ‘milagre da cura’ como a prática de exercícios moderados por 30 minutos, 5 vezes na semana, que pode ser mais poderosa do que administrar um monte de drogas para a prevenção e controle de doenças crônicas”, eles escreveram. “Atividade física regular reduz os riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e alguns tipos de câncer em pelo menos 30%. No entanto, a atividade física não promove a perda de peso”.

Os autores do editorial, Aseem Malhotra (UK’s Academy of Medical Royal Colleges), Timothy Noakes (Universidade da Cidade do Cabo e Instituto de Ciências do Esporte da África do Sul) e Stephen Phinney (Universidade da Califórnia, EUA) comentaram também que uma dieta sobrecarregada como a que temos atualmente – em especial na civilização ocidental – é responsável por mais problemas de saúde do que o sedentarismo, o álcool e o cigarro combinados.

Eles também discutem que esse mal entendido em torno de perda de peso x atividades físicas x dieta se dá em função do marketing corporativo, e de “táticas de relações públicas da indústria alimentícia que são similares às táticas da indústria do cigarro’, que coloca ‘cientistas que se curvam à indústria’ para convencer o público de que o hábito de fumar não está ligado ao câncer de pulmão'”. 

Os autores dizem ainda que a ligação entre junk food e esportes deve acabar: fabricantes de cerveja patrocinando partidas e jogos, ou McDonalds patrocinando atividades infantis. Enquanto “a atividade física regular é a chave para ficar longe de doenças como diabetes, doenças cardíacas e demência”, 40% de todos nós que estivermos dentro do peso ideal (de acordo com IMC) vai, todavia, apresentar anormalidades metabólicas tipicamente associada à obesidade, dizem no relatório.

Outro ponto que os autores destacam é a contagem de calorias. Essa seria a fonte do mito de que todas as calorias são iguais, dizem: “as calorias do açúcar promovem acúmulo de gordura e fome; as calorias da gordura induzem à saciedade”. Eles apontam que 150 calorias extras de açúcar ao dia aumenta as chances de desenvolver diabetes 11 vezes mais do que o equivalente ao consumo de calorias provenientes de gordura.

E os carboidratos não são melhores que o açúcar não, de acordo com uma pesquisa recente que sugere que cortá-los é a estratégia número um para reduzir problemas metabólicos e tratar a diabetes. Na verdade, alguns pesquisadores sugerem inclusive a ingestão de gorduras em vez de carboidratos antes de exercícios intensos.

“O ambiente nutricional precisa ser mudado para que as pessoas automaticamente façam escolhas saudáveis”, sugerem os autores. “As escolhas saudáveis precisam se tornar escolhas fáceis.”

Então, yoga pode ser tudo de bom, mas, no final das contas, você ainda precisa sim cortar os salgadinhos.

"Exercícios são um passo a frente. Mas uma dieta pobre são dois passos pra trás. Você não pode competir com o que come."

“Exercícios são um passo a frente. Mas uma dieta pobre são dois passos pra trás. Você não pode competir com o que come.”

Interessante, não? Você já sabia disso ou já imaginava algo nesse sentido?

Bom, eu já fiz posts sobre a LCHF e sobre a Paleo nos quais eu bato bastante nesse ponto do açúcar/carboidratos x gordura x peso. Basta clicar aqui e aqui pra ler (ou reler).

Então, pra mim, essa já se tornou a minha verdade e meu norte nutricional. E por mais que eu tenha lá minhas deslizadas ainda de vez em quando, eu sei dos efeitos daqueles momentos atípicos no meu corpo e na minha saúde e aí sinto muito mais prazer (acreditem) quando retomo a rotina com comida de verdade. Acredite!

Já sobre a questão das atividades físicas, eu não sou especialista em educação física ou fisiologia do exercício pra afirmar que “atividades físicas não influenciam na perda de peso”, mas eu concordo discordando: defendo – por experiência própria e de acordo com as leituras que faço e conversas que tenho com profissionais da Saúde – que exercícios intervalados de alta intensidade (um HIIT bem feito – como já falei a respeito NESTE post) e treinos de força (já falei sobre a relação entre musculação e emagrecimento AQUI) são benéficos para a perda de gordura SIM devido ao que chamamos de EPOC – ou seja: o consumo de oxigênio pós-exercício.

Esse efeito diz respeito à elevação da taxa metabólica por algum tempo após o término do treino para que o o corpo consiga restabelecer seu equilíbrio (homeostase) depois dos efeitos de uma atividade física, seja ela intensa ou moderada. E veja só que interessante: o principal “motor” do EPOC são as gorduras. Aquelas que estão depositadas de maneira super inconveniente no nosso corpo. Opa! Aí sim, hein?

O que vai diferenciar o “tempo de duração” do EPOC é a intensidade da atividade: uma atividade física moderada e contínua, segundo autores, dura algo em torno de 1 hora. Já um treino HIIT (intervalado de alta intensidade) pode manter essa taxa metabólica elevada por várias e várias horas após o treino (alguns autores defendem 15 horas, outros até 24 horas!). O treino de força também é fantástico nesse sentido.

O que eu entendo disso é: o pulo do gato dos treinos não é o que ele queima durante e sim como ele impacta o seu metabolismo DEPOIS do estímulo físico.

Por isso, eu tenho consciência de que correr durante 1 hora contínua vai ser um ótimo treino de condicionamento físico, mas não vai influenciar de maneira tão eficiente na minha perda de gordura. Corro longas distâncias porque amo e não para perder peso – simples assim. Enquanto isso, o HIIT (que duram bem menos do que 1 hora – alguns podem durar, sei lá, algo em torno de 12 a 16 minutos e você sai arrastada!) e um treino de força bem feitos são e sempre serão meus melhores amigos nessa missão.

Além disso, ainda temos as questões hormonais que muitas vezes passam despercebidas por nós e que influenciam bastante também nos resultados que queremos.

Mas pra não me estender demais por aqui, a mensagem que vocês têm que ter em mente é: comam direito, comam comida de verdade, entendam seus alimentos (e não precisa ser nutri pra conseguir isso, basta ter interesse pela sua saúde e pelo seu processo, seja ele qual for) e façam boas escolhas todos os dias até que elas se tornem o seu piloto automático. Os exercícios são ótimos sim, pro corpo e pra mente (principalmente), mas você nunca vai conseguir compensar uma dieta ruim se matando na academia todos os dias da semana, por mais intensos que possam ser seus treinos.

Então, antes de dizer que o treino não está funcionando e sair por aí seguindo moda de blogueira fitness (e se machucando!), que tal rever a sua dieta e olhá-la com outros olhos? Vamos tentar? =)

-> Se você acha que esse post foi útil, compartilhe nas suas redes sociais com quem precisa fazer essa leitura!

5 Comments

O que você achou?