MODULAÇÃO HORMONAL EMAGRECIMENTO SAÚDE TESTOSTERONA
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Modulação hormonal, emagrecimento e qualidade de vida: o que os 3 têm em comum?

(Senta que lá vem textão! Mas vale a pena ler cada parágrafo e chegar ao final dele, prometo)

Na grande maioria das vezes, as pessoas simplesmente ignoram aquilo que não veem ou que não conhecem. Com a nossa saúde não seria diferente, certo? Como somos seres visuais (e somos cada vez mais estimulados a sermos assim), a gente se apega ao que vê no espelho, na balança, na numeração das roupas… Mas e por dentro? Como é que as coisas estão?

No máximo, as pessoas se preocupam com o coração (ainda mais com a indústria alimentícia vendendo os “saudáveis sqn” que “protegem a saúde do coração”, tipo margarina com ômega 3 – urgh!). Daí, só quando o calo aperta e o estrago já foi feito é que a gente corre pra um especialista. E olhe lá! Porque tem gente que se conforma com alguns sintomas, acredita que são traços de personalidade e “deixa pra lá, afinal, eu sou assim mesmo e não tem o que fazer pra mudar”.

Bom, pensem comigo:

Vocês acham que os tópicos abaixo são traços que simplesmente caracterizam uma pessoa ou sintomas de um quadro maior?

1. Sonolência em excesso

2. Dificuldade em acordar

3. Fadiga excessiva (aparentemente “sem motivo”)

4. Falta de vontade de fazer o que antes fazia com facilidade ou com vontade

5. Falta de concentração e queda da produtividade (principalmente quem trabalha com produção intelectual, tipo professores/pesquisadores, galera da comunicação etc)

6. Muita fome ou falta de apetite

7. Muita vontade de comer doces, com açúcar refinado em especial (aquela vontade quase incontrolável que tira a gente do sério)

8. Irritabilidade e alterações constantes de humor

9. Retenção de líquido

10. Unhas quebradiças e cabelos fracos/sem vida

11. Acne

12. Alterações na oleosidade natural da pele (por exemplo: a pele do corpo, que era naturalmente hidratada, se tornou mais seca)

13. Prisão de ventre ou diarreias frequentes (ou a oscilação entre os dois quadros)

14. Baixa libido (ou a falta dela)

15. Ciclo menstrual irregular (no caso das mulheres)

16. Ansiedade e até mesmo crises de ansiedade

17. Enxaquecas recorrentes

18. Diferenças de sensações térmicas (mais frio, por exemplo)

etc

Eu poderia continuar a lista, mas ficaria cansativo demais. E eu acho que já deu pra entender o meu ponto, né?

A grande maioria das pessoas simplesmente ACEITA esses sintomas como um fardo que vão carregar pra sempre porque acham que “é delas e que nasceram assim” ou é simplesmente a genética que é ruim. E ponto. Vivem assim até o fim dos seus dias. Que vida, não?

Mas, olha, posso falar por mim que não é bem assim, não. A genética tem sua influência sim, mas os nossos hábitos de vida pesam MUITO. São estes hábitos que vão nos dizer como nossos hormônios vão funcionar (e até mesmo SE vão funcionar) e como nosso corpo vai reagir a possíveis alterações no nosso sistema endócrino.

E quem diz isso não sou eu não, viu? É o Dr. Aloísio Vargas, endocrinologista especializado em modulação hormonal e emagrecimento. Ao longo desse post, ele vai explicar um pouco pra gente e aí vocês vão ter aquele momento “ahhhhhhh, então é isso? Agora tudo faz sentido!” como eu tive durante a entrevista com ele.

Mas como meus hábitos afetam meus hormônios?

Segundo o Dr. Aloísio, muito do que fazemos no nosso dia a dia influencia o funcionamento e a produção hormonal:

* Alimentação: tanto a qualidade dos alimentos (nutricional e energeticamente falando) quanto a toxicidade (os tais agrotóxicos) e a transgenia (a lista de alimentos transgênicos não para de crescer, infelizmente – e sim, seu suco de soja tão “saudável” está nessa lista) dos alimentos que consumimos.

* Medicamentos farmacêuticos: Ah, a mania de tomar remédio pra qualquer coisa! E remédio, como vocês sabem, conserta uma coisa e detona outras 10. Não preciso nem explicar. Isso sem falar toda a indústria que move bilhões ao redor do mundo e que diz promover saúde às custas da nossa saúde.

* Pílulas anticoncepcionais: além de todos os riscos de embolia e outros efeitos colaterais que estão vindo à tona agora, as pílulas ainda prejudicam o funcionamento hormonal e nossa glicemia (açúcar no sangue). É quase como uma castração química: sem libido, você não tem vontade de fazer sexo; sem sexo, você não corre o risco de engravidar. (nisso, muitos homens não compreendem o que se passa com a mulher, coloca a culpa nela pela “frigidez” e assim os relacionamentos acabam)

* Embalagens plásticas: sabe aquele potinho plástico que você carrega pra cima e pra baixo com a sua marmita saudável e que fica exposto a variações de temperatura ao longo do dia? Então. O calor e as variações de temperatura fazem com que o plástico contamine a sua comida e seus líquidos com toxinas como o bisfenol que afetam toda a cadeia sistêmica do nosso corpo. (É por isso que não é recomendado reaproveitar garrafas plásticas de água, entendeu?)

* Stress (e outros desequilíbrios emocionais decorrentes dele): o cortisol é um hormônio essencial pro corpo. Mas o excesso de cortisol provoca uma reação em cadeia no nosso corpo que leva ao desequilíbrio hormonal porque reagimos com excesso de adrenalina: o corpo pensa em “fuga” e em nada mais. Isso diminuiu muito a sensibilidade aos outros hormônios e, com isso, seu metabolismo desacelera e os processos inflamatórios aumentam. Antes, a tínhamos picos de stress – principalmente na época dos nossos ancestrais. Hoje, o stress é uma constante e o cortisol se mantém elevado o tempo todo. Com isso, vamos gastando nosso reservatório de cortisol (cada pessoa tem o seu), e quando chega na reserva desse tanque, é que tudo se complica e chegamos à fadiga adrenal crônica – o estado de stress mais absoluto do corpo. Nesse caso, há a produção hormonal, mas o hormônio não vai se ligar ao receptor e, portanto, não vai ser ativado.

* Qualidade do sono: se dormimos menos do que necessitamos ou se dormimos em um ambiente sem as condições adequadas pra um sono reparador (sem iluminação artificial/externa e sem interferências eletrônicas, tipo ficar na cama acessando as redes sociais antes de dormir ou adormecer com a tv ligada), não estimulamos a produção de melatonina e, com isso, não temos todo o processo de reconstrução do nosso corpo que deve acontecer nas nossas horas de descanso.

“Sabemos que a genética influência muito, mas a epigenética influencia muito mais. O que você faz que vai influenciar diretamente no seu genoma? O que você vai comer? A alimentação é a base de tudo. Já está mais que comprovado que a genética influencia até os 30 anos, mas depois é a epigenética que vai dizer se você vai ser uma pessoa saudável ou não. Você acaba seguindo os mesmos erros ou acertos dos seus pais, porque é o que foi ensinado a fazer e a reproduzir no ambiente familiar. Com isso, você aumenta as chances de ter os mesmos problemas de saúde que eles tiveram de acordo com as suas escolhas diárias.” – Dr Aloísio Vargas

As doenças estão explodindo: câncer, obesidade, doenças cardiovasculares, doenças do sistema nervoso, alergias e intolerâncias alimentares e até mesmo o aumento de incidência de crianças autistas. E não pode ser mera coincidência se paramos para analisar o caminho que o ser humano percorreu até aqui: alimentação, sedentarismo, consumo aumentado de fármacos, poluição, stress, pouco sono…

“Quando falamos nos transgênicos e quando vemos pesquisas independentes que apontam o mal que estes alimentos nos fazem, vem uma gigante desta indústria, contrata e compra um monte de nutricionistas, médicos e pesquisadores que vão produzir pesquisas e dar entrevistas na mídia de massa certificando que esses alimentos são bons, sim, para a saúde, que o que nos faz mal são outras coisas, como a manteiga e a gordura saturada, por exemplo”, explica o médico.

Lembram da polêmica do do óleo de coco x óleo canola no programa Bem-estar da Globo, recentemente? Pois bem.

Testosterona: quebrando o tabu

Aqueles sintomas que eu citei ali em cima, especialmente a falta de energia e a baixa ou ausência de libido, podem ser um dos sinais de que os seus níveis de testosterona não estão muito legais, ocasionado pelos fatores de risco também citados no tópico acima.

Eu mesma já fiz reposição com testosterona em 2014, quando meus níveis deste hormônio estavam abaixo do mínimo esperado em mulheres. Eu tinha todos os sintomas lá de cima e também achava que aquela era eu e que eu teria que apenas aceitar aquilo. Fiz a modulação com o acompanhamento do meu ginecologista, iniciei a LCHF com orientações da nutri Renata Merlino, interrompi a pílula anticoncepcional, as compulsões cessaram e as coisas começaram a mudar pra MUITO melhor: reduzi gordura consideravelmente e consegui ganhar (e manter) massa magra, meus exames médicos ficaram dignos de serem emoldurados e pendurados na parede e meus níveis de testosterona foram regularizando dia após dia.

Posso dizer que essa a melhor fase que já tive até hoje, tanto em termos de resultados estéticos quanto de performance e bem-estar! Nesse momento, aliás, eu estou investigando esses níveis novamente porque acho que meus hormônios bagunçaram um pouco por causa dos remédios que tomei por conta da tendinite de quadril (corticóides, meses de antiinflamatórios orais e injetáveis), além do stress que passei no primeiro semestre. Vamos ver!

Sim, nós mulheres precisamos de testosterona para estarmos 100% funcionais. Mas os homens, apesar de terem naturalmente mais testo que nós, também estão suscetíveis a esses desequilíbrios, sabiam?

O Dr. Aloísio explica: “Quando falamos em testosterona em homens, pensamos apenas em desempenho sexual e músculos, quando na verdade esse hormônio vai muito além desses dois aspectos. 70% dos receptores da testosterona estão no sistema cardiovascular – ou seja, a testosterona está diretamente ligada à proteção cardíaca do homem. Quando a gente começa a ter queda nessas taxas hormonais – e é mais cedo do que a gente imagina -, começa a ter um aumento de risco cardíaco. Isso está relacionado ao que chamamos de andropausa (“menopausa do homem”), mas quem é que se lembra de dosar a testosterona em homens? Poucos profissionais e menos ainda os pacientes, que desconhecem essa necessidade. Aí começa a ter queda de rendimento, perda de libido e as pessoas acham isso normal porque é a ‘idade’. Tenho pacientes de 30 anos que já estão na andropausa. Isso porque os homens também acabam se expondo ao excesso de estrogênio (hormônio feminino) das maneiras que menos desconfiamos: a garrafinha plástica de água esquentando no sol (nos treinos ou dentro do carro) o dia inteiro. Além do hormônio feminino, há também o consumo de 16-alfa hidroxi-estrona, que é altamente cancerígeno.”

Como se não bastasse o desequilíbrio hormonal, temos também o aumento de riscos de desenvolvimento de câncer. Nada bom =(

Então, homens precisam se preocupar com testosterona muito mais do que mulheres. De acordo com o Dr. Aloísio, existe uma pesquisa que comparou o volume de espermatozóides por ejaculação entre um homem da década de 1950 e um homem dos anos 2000. O primeiro, de 1950, possuía uma média de 150 milhões de espermatozóides por ejaculação. O segundo, cerca de 75 milhões apenas. “Tanto que vemos as clínicas de fertilidade só crescendo, porque hoje as pessoas têm dificuldade em ter filhos da forma natural”, reflete o médico.

Modulação hormonal e treinos

Segundo o Dr. Aloísio, depende do foco do paciente: ganhar massa magra, emagrecer, ganhar performance…

“O que temos que ter em mente é que um atleta (profissional ou não) demanda de muita testosterona porque está o tempo todo exigindo funcionamento muscular, em alguns casos com treinos e atividades de explosão etc. Destrói-se muito a musculatura, e é preciso que ela se regenere também. Então precisamos avaliar este ponto e também as inflamações que podem decorrer de vários fatores. Então dá para fazer muitas coisas interessantes com quem leva uma vida mais ativa, profissionalmente ou não, e não necessariamente com o uso direto de hormônios. Por exemplo: se conseguimos otimizar a produção de energia pelas mitocôndrias, que são responsáveis pela produção energética, conseguimos ter mais performance. E conseguimos fazer isso usando magnésio, enzima Q-10, L-carnitina, ribose (que é o açúcar da mitocôndria), que vão fornecer substratos pra essa produção de energia pelas mitocôndrias. São coisas simples que vão dar uma resposta muito legal. E aí entra também a alimentação, claro, sempre de acordo com os objetivos do paciente/atleta”, explica o especialista.

“Se você tem um perfil hormonal corrigido e um perfil inflamatório baixo, seu desempenho esportivo, sem dúvida, vai ser muito melhor.” – Dr. Aloísio Vargas

Quando buscar ajuda de um profissional?

Quando você passa a conhecer seu corpo, você identifica rapidamente quando alguma coisa não está legal.

Um dos sinais de alerta são os sintomas (mencionados lá no início do texto) e, além disso, temos também o fator idade: segundo o Dr. Aloísio, a faixa dos 30 anos é o limite para quedas hormonais. “Esses hormônios não caem tudo de uma vez ao chegar nessa idade, mas vão diminuindo progressivamente. No final das contas, o envelhecimento nada mais é do que uma queda hormonal associada a um aumento de inflamações. Por isso não respondemos mais como respondíamos quando adolescentes”, explica.

“Então, quando começamos a ter estas quedas, ninguém investiga na hora. É o que acontece com a tireóide, que só é tratada quando praticamente para de funcionar. Fisiologicamente falando, o corpo vai se adaptando a essa queda hormonal. Então quando eu penso em fazer uma reposição quando não há mais receptores hormonais no meu corpo em funcionamento, a resposta é pífia. Se começar antes, essa sensibilização de receptores é mais eficiente e, consequentemente, o tratamento também”, completa o endócrino.

Portanto, o é pensar em corrigir os hormônios para manter o metabolismo basal quando estivermos próximo aos 30 ou se já tivermos chegado na casa dos “inta” e a correção ocorre conforme as necessidades de cada um. “Nem sempre essa modulação é feita com hormônios: existem possibilidades nutracêuticas – como a ingestão de iodo, por exemplo, que melhora o funcionamento da tireóide – que podem suprir essa necessidade. É lógico que chega uma hora que essas práticas nutracêuticas não são mais suficientes e aí é que entra a modulação com os hormônios de fato”, esclarece Dr. Vargas.

Bônus: Inflamações também merecem atenção especial

Além disso, o Dr. Aloísio diz que temos que pensar além da produção hormonal: precisamos dar atenção também às inflamações, uma vez que elas também levam ao desenvolvimento de doenças e não têm idade pra acontecerem (existem crianças que já estão inflamadas devido ao consumo de refrigerantes, por exemplo).

Então, quanto mais cedo começar a corrigir essas inflamações, melhor. “O que dificulta o tratamento de inflamações é que muitas vezes a pessoa não tem sintomas tão latentes a ponto de ir buscar ajuda profissional. Elas não fazem ideia que dores de cabeça recorrentes podem ser um dos sinais de uma possível inflamação”, orienta.

E agora: como lidar com tanta informação e tantos fatores de risco ao meu redor?

Calma! Não vamos surtar e achar que a única solução é fugir do sistema capitalista e nos isolarmos numa ilha deserta.

O segredo está em saber dosar tudo isso: “faça as melhores escolhas e faça o que estiver ao seu alcance para conseguir mudar para melhor os seus hábitos de vida: dar prioridade à comida de verdade e à alimentação orgânica, eliminar industrializados e refinados, iniciar um programa de atividades físicas, e por aí vai”, recomenda o Dr. Aloísio.

“Hoje a Medicina nos dá condições de viver por muitos anos. Cabe à pessoa decidir se ela vai ter toda essa longevidade com qualidade ou se vai apenas sobreviver à passagem dos anos” – Dr. Aloísio Vargas

Tudo isso pode parecer muito apocalíptico pra muitas pessoas, eu sei. Sei também que é muita informação ao mesmo tempo. E muitas vezes é difícil abrir mão de um estilo de vida e sair da zona de conforto pra nadar contra a correnteza. Mas as informações estão aí (e aqui, no que depender de mim – não à toa eu estou cursando a faculdade de Nutrição, não é mesmo?) e nós devemos buscar extrair o máximo delas pra encontrar o que é melhor pra gente de acordo com as nossas individualidades e até mesmo prioridades. Portanto, reflitam, façam suas escolhas e sejam felizes e saudáveis ♥

E vocês? O que pensam disso tudo? Já tiveram alguma experiência com modulação hormonal, que nem eu? Quero saber =)

(imagem: arquivos pessoais do Dr. Aloísio)

(imagem: arquivos pessoais do Dr. Aloísio)

Sobre o entrevistado: Dr. Aloísio Vargas

Formado em Medicina pela Universidade de Taubaté (UNITAU). Fez pós- graduação em Medicina Intensiva, no Hospital Israelita Albert Einstein, e em Ciências da Fisiologia Humana pelo Grupo Longevidade Saudável. Trabalha com foco em Medicina Preventiva, acrescentando qualidade à vida de seus pacientes por meio de novos hábitos alimentares, exercícios físicos regulares e níveis hormonais equilibrados.

É membro do Grupo Longevidade Saudável, da Sociedade Brasileira para Estudo da Fisiologia (SOBRAF), da A4M The American Academy of Anti-Aging Medicine e da HS – The International Hormone Society.

Fale com o Dr. Aloísio Vargas:

Site: http://www.draloisiovargas.com.br/ | Instagram: @dr.aloisiovargas | Facebook: fb.com/draloisiovargas

5 Comments

  • Jacqueline A Moura Miranda

    November 17, 11 2016 05:10:33

    Gostei muito das informações. É isto que preciso.

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 10:39:50

      Que bom, Jacqueline! Fico feliz que o post tenha sido útil. Grande beijo!

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