8 valiosas lições que aprendi com a corrida
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8 lições valiosas que a corrida me ensinou e que estão me transformando

Eu ADORO tirar aprendizados das coisas mais rotineiras da minha vida. Afinal de contas, não são apenas os grandes eventos e acontecimentos (bons ou ruins) que ensinam a gente, né? Aliás, acho até que a gente tira muito mais lições das pequenas coisas do dia a dia, se a gente estiver atento a elas, claro. Tem sido assim com a cozinha e com a corrida. Mas como já falei sobre as lições que tirei da cozinha, agora falo do que a corrida me ensinou e que eu vou levar pra sempre <3

1. Ninguém nasceu pronto

Por mais ansiosa que você esteja pra sair da sua casca, você vai precisar dos "baby steps" pra preparar pra chegar onde deseja :)

Por mais ansiosa que você esteja pra sair da sua casca, você vai precisar dos “baby steps” pra preparar pra chegar onde deseja :)

Já reparou que a gente já quer nascer pronto pra tudo o que a gente se propõe a fazer? Nego sai da faculdade e já quer ser chefe. Outro lá já quer ser fluente em mandarim no primeiro dia de aula. Enquanto fulano quer começar a correr, mas já quer correr logo 10k num pique só.

E não é assim, né?

Correr pode ser um ato instintivo, mas correr por esporte (seja você um atleta amador ou não) é bem diferente. Tem técnica, tem cuidados básicos. É baby steps. Você vai preparando seu corpo inteiro, cada músculo, cada tendão, cada ligamento, cada inspiração e expiração, até conseguir de fato correr. E vai aos poucos, metro por  metro, km por km. Acredite: a pressa só vai te atrapalhar.

E na vida é assim também. Ninguém nasce pronto pra nada. A gente vai treinando, se aperfeiçoando, tentando e melhorando até ficar pronto e chegar no seu objetivo: uma promoção no emprego, liderar uma equipe, fazer sua empresa ter sucesso, ser um atleta, aprender a cozinhar, aprender um idioma novo, ou o que quer que seja.  🙂

2. “Calma, menina!Calm+down+wallpaper+funny.+Calm+down+wallpaper+funny+http+thefunnyplace.net+comics+calm-down-wallpaper-funny_512f78_4853774

Eu sou uma pessoa ansiosa e competitiva, por mais que eu transpareça ser uma pessoa super equilibrada (nem sei se pareço ser equilibrada também, mas ok hahah).

No início dos treinos, eu queria rodar muito e em pouco tempo. Era como se eu precisasse provar algo a mim mesma (e também aos outros – por mais que você negue isso, você sempre quer provar algo a alguém), como se eu precisasse mostrar que sou boa em algo.

Levei muito puxão de orelha do coach, até que ele me reforçou que cada treino tem seu propósito (ritmo, intervalado, longão, estabilidade, regenerativo, teste) e seu estímulo no momento certo, e que baixar tempo é uma consequência natural da disciplina e do comprometimento com o treinamento, porque é neles que vamos ganhando força, resistência e velocidade. E cada um evolui no seu tempo, no seu ritmo.

Como eu disse ali em cima, ninguém nasce pronto pra correr uma maratona, e apressar o rumo das coisas só vai me atrapalhar e colocar minha saúde em risco – e eu tô de boa de me lesionar de novo (lembram que já contei do meu joelho?) e ficar afastada dos treinos 🙁

Essa última conversa que tivemos, quando ele me falou isso, fez cair um monte de fichas e eu trouxe a lição pra minha vida pessoal: não adianta eu ficar ansiosa e querer apressar as coisas, porque o risco de meter os pés pelas mãos é muito maior e a queda vai doer muito mais do que aprender a ter paciência. Sem falar que, dependendo da situação, pode colocar muita coisa em jogo, né?

3. Tesão por desafios

"Estou preparado para encarar quaisquer desafios que sejam idiotas o suficiente pra me encarar" - Dwight Schrute (personagem do seriado americano The Office, que eu tanto amo <3)

“Estou preparado para encarar quaisquer desafios que sejam idiotas o suficiente pra me encarar” – Dwight Schrute (personagem do seriado americano The Office, que eu tanto amo <3)

Sempre fui competitiva, mas nunca me permiti SER competitiva de fato. Por causa da falta de autoconfiança de que eu conseguiria realmente chegar até o fim de um desafio, eu preferia ficar nos bastidores. Isso em tudo, viu? No emprego, na aula de educação física da escola, quando eu posterguei meses e meses pra lançar o VIDA FIT…

E é engraçado que como a corrida me devolveu esse tesão por desafios! Quando recebo as planilhas de treino, tem vezes que eu fico super nervosa com medo de não conseguir atingir o planejado, mas ao mesmo tempo isso me instiga a me desafiar e ir além do que eu já fui até hoje. E na maioria das vezes dá certo, viu?

No meu dia a dia fora dos treinos, eu já consegui superar bastante o meu medo por desafios. Lógico que ainda sinto um super frio na barriga, principalmente se for algo que nunca fiz na vida. Mas tento encarar essa sensação como algo bom, porque se a gente estiver indiferente a tudo, se tudo virar “normal”, cadê o prazer de viver? Viva o frio na barriga! \o/

4. Não deu? Tenta de novo!

"Se o plano A não funcionar, o alfabeto tem mais outras 25 letras. Fique tranquila!"

“Se o plano A não funcionar, o alfabeto tem mais outras 25 letras. Fique tranquila!”

Das vezes que não dá certo, bate aquele sentimentozinho de frustração, mas eu sei que vou ter outras oportunidades de tentar de novo e fazer melhor da próxima vez.

Quando um treino não dá certo, eu tento analisar o porquê. Se eu tô na TPM ou naqueles dias, se eu dormi bem, se me alimentei bem nos últimos dias, se bebi água, se tô emocionalmente estável… Tudo isso afeta. E nós, mulheres, somos ainda mais vulneráveis a esses fatores que pesam o corpo e a cabeça da gente.

Na vida, é a mesma coisa. Não deu certo aquele projeto que você tentou emplacar? Veja o que pode ser melhorado, prepare-se mais e tente de novo. Aquela receita não vingou? Reveja o passo a passo e faça de novo. Não conseguiu se manter 100% regrada na dieta naquela festa de casamento? Amanhã você volta ao normal e tenta de novo.

Como já dizia Raul Seixas: “Tente outra vez” 🙂

5. “Não desista! Você tá quase lá!”

"Não pare agora, você está quase lá! :D"

“Não pare agora, você está quase lá! :D”

Sabe quando você tá correndo e parece que nunca termina, seu corpo e sua cabeça querem simplesmente desligar e parar tudo? Isso pode acontecer tanto por causa de fatores físicos ou mentais. Mas geralmente é o mental, e a cabeça, queridas e queridos, é a dona do jogo!

Nos treinos de ritmo, principalmente, quando parece que a gente vai morrer antes de chegar na metade do percurso, é o momento em que eu mais trabalho a minha cabeça. Durante o treino, quando eu penso “não vou conseguir, vou parar”, já automaticamente vem uma voz na minha cabeça que diz “não vai parar, não!”.

E daí sabe a analogia que eu faço? “O final do treino é o equivalente ao momento em que vou conquistar meus objetivos e metas pessoais”.

Então, por exemplo, se eu quero muito que a minha empresa dê certo, eu penso que o cansaço e o desconforto do treino é o mesmo cansaço e o desconforto que eu preciso aguentar pra que eu chegue onde eu quero chegar com os meus negócios. São as horas e horas trabalhando sozinha, o sono perdido muitas vezes porque preciso trabalhar ou por preocupações mesmo (quem nunca?), a vontade de querer parar tudo e desistir porque tá muito difícil e é mais confortável voltar a fazer o que eu sempre fiz (trabalhar em empresa dos outros e me sentir inútil e infeliz). E, assim como todo esse cansaço no percurso, a linha de chegada vai ser a minha recompensa e tudo o que eu sempre quis conquistar vai estar ali.

Então eu corro, ligo o foda-se pro cansaço e não paro, por mais que eu queira. E dá certo! Fico ultra motivada desse jeito e no gás pra correr não só no treino, mas atrás dos meus objetivos também <3

6. O que importa é o percurso, não apenas a linha de chegada

"Essa é a SUA jornada. Aproveite todo e cada passo"

“Essa é a SUA jornada. Aproveite todo e cada passo”

E assim como a analogia ali em cima funciona pra me manter focada e não espanar diante das dificuldades, aprender a curtir o percurso e não apenas a linha de chegada tem me ajudado MUITO no meu dia a dia.

Isso porque eu era uma pessoa que condicionava a minha felicidade e a minha plenitude ao futuro apenas. “Quando eu conquistar X, aí sim serei feliz”. “Quando eu fizer Y, vou ser uma pessoa mais tranquila e plena”.

E aí esses momentos nunca chegavam. Ou quando chegavam, não traziam o que eu havia esperado por tanto tempo. Ou seja: frustração.

Então, desde que fiz minha formação em Coaching e comecei a correr, aprendi a curtir o meu “presente precioso” (como dizem os coaches). As provas são momentos muito especiais, a linha de chegada é ultra empolgante e botar uma medalha no pescoço (ainda mais se o tempo tiver sido algum recorde pessoal) não tem preço! Mas reconhecer o processo que te levou até lá e se valorizar por todo o seu esforço e empenho é muito mais gratificante.

Tanto que eu me considero uma insatisfeita crônica. Quando eu chego ao final de um processo ou atinjo uma meta, já começo logo a bolar o próximo desafio. Porque eu aprendi que, se fiz o que já fiz, é porque o meu processo deu certo e eu posso chegar mais longe ainda, pouco a pouco – controlando a ansiedade, mas sem perder o timming. Isso tanto na corrida quanto na minha carreira.

Meu mentor diz que isso é característica de empreendedores, porque eles não comemoram a meta batida, e sim o processo bem sucedido (sinal de que o caminho é sustentável e consistente, levando a metas e conquistas maiores ainda). E eu fico super feliz com isso! 🙂

7. O poder libertador do silêncio

"Curta o silêncio"

“Curta o silêncio”

Eu não gosto de barulho, mas o silêncio também me incomodava demais. Principalmente se eu estava junto de alguém e rolava aquele silêncio, que eu considerava constrangedor, quase uma sentença de que algo estava errado e a minha presença era entediante ou chata demais. Quando meu namorado ficava muito quieto ao meu lado, eu já o pentelhava: “Aconteceu alguma coisa? Você tá bravo comigo? Tá precisando conversar?”

Mas hoje não mais. Hoje sei que saber estar em silêncio perto de outra pessoa, principalmente quando temos intimidade, é normal – e até sadio. O silêncio não é sentença de erro. Significa apenas que uma pessoa está confortável o suficiente ao seu lado a ponto de relaxar e não precisar provar nada a ninguém, apenas curtir aquele momento. Já reparou como algumas pessoas, quando estão nervosas, tagarelam sem parar e acabam sendo até chatas? Então.

A corrida é muito assim. Você pode correr com alguém, mas não tem a obrigação de conversar durante o trajeto. Mesmo porque, dependendo do seu ritmo a ser seguido, nem dá! Então basta aproveitar a companhia de outra pessoa disposta a queimar asfalto junto contigo, ainda que em silêncio, e pronto. Aprendi até mesmo a ficar em silêncio comigo mesma. É quase uma meditação.

Isso me lembrou uma música do Depeche Mode que eu amo de paixão:

8. Você pode até correr sozinha, mas nunca está sozinha

É, Lucy, a gente é que precisa viver as coisas da nossa vida, mas quando se tem ajuda tudo fica melhor, né? ;)

É, Lucy, a gente é que precisa viver as coisas da nossa vida, mas quando se tem ajuda tudo fica melhor, né? ;)

E quando você não tem um companheiro de corrida, mesmo assim você não está sozinha. As pessoas estão na torcida por você, e às vezes esse carinho vem gratuitamente de onde você nem sequer espera.

Com a galera da corrida é assim. Quem corre sabe a dificuldade de baixar SEGUNDOS no tempo, e por isso vibra contigo e respeita suas conquistas – por mais que eles já estejam num estágio muito mais avançado que o seu, e isso justamente porque eles também começaram do zero (afinal, ninguém nasce pronto – lembra?).

Eu fui abençoada por ter entrado numa equipe de corrida que me acolheu de braços abertos e que vibra comigo a cada resultado de prova, a cada término de treino, a cada nova conquista (seja tempo ou rodagem, ou qualquer outra coisa). E eu vibro com as conquistas e superações deles também!

E mais recentemente conheci um grupo de mulheres lindas, surtadas, guerreiras e queridas que também me motivam diariamente. Conversamos tanto pelo whatsapp, sobre tudo e o dia inteiro (sério!), que até esqueço que conheço a maioria apenas pelo Instagram. Algumas já tive a oportunidade de conhecer em provas de corrida (como a Érica do Corre Mulherada, a Dani “Princesa Disney Magic Run” Romeu e a Ju “Voz do Metrô” Albuquerque).

Na minha vida, graças a Deus é assim também. Recentemente passei por uma fase muito barra e eu juro pra vocês que achei que ia sofrer tudo sozinha. E, realmente, a fase era minha apenas e eu tinha que enfrentá-la. Mas não foi sozinha: minha família, meu amor e meus amigos estavam ao meu lado o tempo todo e me deram um suporte INCRÍVEL que me ajudou a me manter firme na luta.

O que me lembra, claro, outra música – agora dos Beatles (mas na versão do filme-musical Across The Universe, que eu gosto mais):

E assim eu vou tocando. Botando as lições em prática (não é 100% das vezes que eu consigo, tá? Também sou de carne e osso, pfvr haha) e aprendendo mais outras no meio do caminho!

Espero que os meus devaneios ajudem vocês também 🙂

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