Você começou ou quer começar a LCHF? Aprenda com os erros e conquiste seus acertos!
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LCHF: os 11 erros mais comuns de quem inicia uma dieta de baixo carboidrato

Errar é normal e a gente deve aprender com eles. Então vim aqui compartilhar algumas dicas com base em erros que eu mesma já cometi no início e erros que vejo outras pessoas cometendo. Espero que seja útil =)

Ah! E se você não sabe o que é essa tal de Low Carb High Fat, recomendo que leia ESTE POST antes de dar continuidade neste post aqui sobre os erros, ok?

1. Encarar a lowcarb como dieta temporária

E depois voltar a comer high carb tudo como antes, como disse que era possível aquela revista que prega a “boa forma” feminina.

Tudo bem se você quiser baixar a ingesta de carboidratos como estratégia pra atingir um objetivo. Mas se você voltar a comer como antes depois disso, fatalmente voltará a engordar. Palavras de quem já passou por isso!

Se você se identificou com a LCHF, encare como um estilo de vida, como deveria ser, assim como a Paleo. Até porque estamos falando de uma dieta bem tranquila (e deliciosa) de ser seguida a longo prazo, ao contrário das dietas tradicionais low-fat em que estamos sempre famintos, contando calorias e preocupados com a próxima refeição dali a 3 horas, com marmitas mil etc.

Mas pra isso você precisa, antes de tudo, entender o porquê dessa abordagem dietética, os benefícios, tirar suas dúvidas e não achar que é apenas mais uma dieta “projeto verão”. Trabalhe acima de tudo na mudança dos seus hábitos e na forma como você enxerga a comida (acima de tudo a sua relação com carboidratos e a desconstrução do medo da gordura natural dos alimentos).

Se você se motiva com metas, use-as a seu favor e não contra você. Não queira emagrecer 8kg no primeiro mês só porque fulana emagreceu. Já sabemos que cada metabolismo é diferente do outro, assim como as condições e sintomas clínicos de cada indivíduo. Sua amiga pode emagrecer super rápido com a LCHF e você não porque seu intestino não está legal e você tem uma disbiose intestinal que ela não tem, por exemplo, e isso faz toda a diferença no final das contas.

Portanto, trace a SUA jornada. Sei que comparações são inevitáveis, eu mesma caio nelas invariavelmente, mas precisamos voltar à NOSSA realidade e fazer as pazes com o nosso corpo, porque se a gente cuidar bem dele, ele vai responder com coisas boas também – no tempo dele, mas vai, tenha certeza.

2. Querer baixar o carbo AND a gordura

Pode até ser bom no começo, emagrecer e tudo, mas não é sustentável. O motivo? Fome recorrente e muito provavelmente pouca energia.

Quando passamos a nos alimentar com mais gorduras do que carboidratos, é justamente essa gordura que vai nos saciar (e bem, por sinal, já que é possível até jejuar naturalmente ou se programando dentro de protocolos específicos de jejum intermitente) e nos dar energia para continuar nossas atividades normalmente, até mesmo aqueles treinos que antes você acreditava que precisaria de carboidratos pra fazer (tipo treino de força na musculação ou aeróbicos).

3. Perder o medo da gordura, mas não desapegar do carboidrato

Uma das premissas da LCHF é perder o medo da gordura natural dos alimentos. Isso significa comer aquele torresmo delicioso (sem se entupir, obviamente) sem medo de ser feliz, nem de morrer do coração.

PORÉM… Tem gente que perde o medo do torresmo, mas continua comendo enquanto toma cerveja todo happy hour.

Spoiler: isso dá merda. Em bom e claro português.

Se você continuar ingerindo alto carbo agora que ingere alta gordura, você VAI engordar. Aí quando pegar seus exames de sangue e ver que estão todos alterados, não adianta culpar a dieta: foi VOCÊ que não seguiu a proposta da lowcarb corretamente.

Vamos falar a real porque somos todos adultos aqui: não se pode ter tudo nessa vida.

Você quer manter uma alimentação onde pode se alimentar sem pensar em calorias ou porções, comer até a sua saciedade e permanecer nela por muito tempo, não precisar comer de 3 em 3 horas e ainda com a possibilidade de comer ovos na manteiga, bacon, queijos gordos e picanha com gordura?

Então você precisará abrir mão dos alimentos ricos em carboidrato, do glúten, dos açúcares (em seus mais variados nomes e fantasias).

Agora, se você quer continuar se alimentando sem pensar nos carbos, você terá que abrir mão da picanha gorda e do creme de leite. Precisará voltar a contar calorias e em porções, consumir produtos low-fat e provavelmente ter fome e vontades ao longo do dia.

Penso comigo que não existe uma única forma de se manter saudável e magro, ou de emagrecer. Mas a LCHF é a maneira mais intuitiva, saborosa e fácil de conseguir isso. Pense nas suas prioridades e no que quer pra sua vida e, aí sim, faça suas escolhas e se mantenha nelas, sem mimimi.

4. Comer o tempo todo só “porque é lowcarb”

A coisa mais comum quando a gente fiz que a lowcarb incentiva a comer conforme a fome e a saciedade é ouvir a seguinte frase: “mas então eu vou comer o tempo todo”

Se você é uma pessoa que baseia sua alimentação em carboidratos, sim, você vai sentir fome o tempo todo e vai querer comer o tempo todo. Mas na lowcarb, como a nossa prioridade não são os carbos, conseguimos manter a saciedade por muito mais tempo e até acabamos realizando jejuns naturalmente.

5. Não se informar

Você não precisa ir pra uma faculdade de nutrição como eu, mas é sempre bom construir seu próprio conhecimento.

Existem muitos livros ótimos sobre alimentação, além de blogs. Se você souber inglês, maravilha! Existem verdadeiras pérolas lá fora, como o Mark’s Daily Apple, Paleo for WomanNerd Fitness. Aqui no Brasil, recomendo blogs como o blog do Dr Souto e o Paleodiário que trazem muito, mas MUITO conteúdo científico de alta qualidade e tudo mastigadinho.

É só ter interesse, afinal, a saúde é SUA.

6. Não se planejar

Eu particularmente acho que a LCHF não exige tanto planejamento quanto uma dieta tradicional que segue a pirâmide alimentar brasileira. Se você trabalha fora ou estuda, carregar um punhado de oleaginosas, lascas de coco e até um pouco de queijo já vai ajudar bem a matar aquela fominha que pode surgir entre uma refeição e outra. Então é sempre bom carregar isso.

Agora, se você almoça no trabalho ou em restaurantes que não oferecem opções pra você (o que eu também acho difícil, porque consigo me virar bem em padarias – pedindo lanches no prato -, restaurantes self-service ou não), seria ideal você levar sua própria comida que, graças à lowcarb, não tem mistério nenhum: bicho e planta. Pronto.

Agora, com relação às compras na sua casa, sim, você deve se planejar. Ainda mais se você divide o teto com pessoas que não estão na mesma pegada que a sua e compram pães, bolachas, chocolates, macarrão (como eu aqui em casa, haha). Lembre-se que a responsabilidade é SUA, de ninguém mais.

7. Pirar no “zero carbo”

É virtualmente impossível “cortar os carboidratos”. Se você se alimenta com vegetais, legumes e frutas, você está ingerindo carboidratos em forma de amido (reserva de CHO em plantas), ainda que opte pela abobrinha em vez da batata inglesa.

Não pire nisso! Mesmo porque tem muita gente que abomina a banana por causa dos carbos, mas cai de boca no brigadeiro todo fim de semana. Não faz sentido, não é mesmo?

8. Viver de receitas (e depender delas)

Sou a favor de manter a dieta a mais simples possível justamente pra gente não cansar e ceder às “praticidades” (desculpinha, né? rs) dos alimentos que sabemos que não vão agregar nada aos nossos objetivos e à nossa saúde.

No início da Paleo (na LCHF nem tanto), eu comecei a pirar nas receitas que eu via no Instagram da galera. Por exemplo: eu fazia o pãozinho de amêndoas e comia loucamente uma fornada! Afinal, é lowcarb, é paleo, pode.

Não é bem assim. Do contrário, estamos apenas trocando o objeto da compulsão alimentar: em vez dos carbos, as receitinhas lowcarb/paleo. Isso sem falar que, pra mim, só reforçava o mindset de que eu PRECISAVA de um pão na minha vida. O mesmo vale com o brownie, o chocolate, o bombom etc. Precisamos nos desvencilhar dessas ideias e passar a entender que podemos sim ter uma indulgência aqui ou lá, mas como a própria palavra “indulgência” significa, não é uma regra, algo a ser consumido todo dia como base alimentar.

Então coloquei na minha cabeça que eu deveria manter tudo simples. No máximo, fazia uma panqueca de cacau durante a Warrior Diet. As minhas principais refeições são baseadas em carnes ou ovos, legumes e vegetais. As carnes eu preparo na manteiga ou na banha de porco. Os legumes às vezes preparo salteados na manteiga também. E se tudo já leva manteiga, eu pulo o azeite de oliva extravirgem na salada porque me sinto forçando a ingestão de gorduras nesse caso (vou falar sobre isso a seguir, nos próximos tópicos). Também adoro legumes assados no forno com azeite, sal, pimenta e alecrim.

Enfim, a composição do seu prato não precisa ser chata. Enjoou da sua comida? Vá até um self-service com churrasco e faça um belo prato com muitas folhas, vegetais e picanha com gordura. Olha que beleza! =)

Minha sugestão é deixar as receitas para os momentos em que você realmente esteja afim de algo diferente, quando for receber pessoas em casa, alguma ocasião especial. Você vai poupar tempo e dinheiro, inclusive.

9. Deixar uma escorregada acabar com tudo.

Se um dia você saiu fora, não se desespere e não deixe uma refeição virar um dia, uma semana, um mês, um ano de excessos de carboidratos e açúcares. Quem nunca fez isso, né?

Tudo bem você comer algo que não seja lowcarb de vez em quando, seja porque é uma coisa super diferente e que você provavelmente nunca mais vai saborear de novo (muito comum em viagens, né?) ou se você simplesmente sentiu vontade depois de um longo tempo incorruptível.

Se você se perdeu, recalcule a rota e retome o seu caminho. Sem neuras, sem piração. Porque, olha, vou te contar um segredo que talvez você não saiba: você é um ser humano feito de carne, osso e muitas emoções. Então RELAXE, aceite e retorne à sua rotina.

Aqui cabe um “porém”: sair da dieta todo fim de semana não é exceção, ok? Isso é regra! Quando falo em “sair de vez em quando da dieta”, me refiro a episódios do tipo uma vez ao mês ou espaços maiores de tempo.

Hoje eu entendo isso e consigo lidar melhor com as saídas da rotina. Lógico que tem fases que a compulsão tá mais atacada, mas a gente tem que lutar contra esses impulsos, se não ninguém mais vai poder nos ajudar, nem mesmo o melhor dos terapeutas, a melhor das nutris, o melhor dos treinadores. O segredo do sucesso é o nosso mindset, a forma como pensamos e como agimos em decorrência disso.

10. Forçar a ingestão de gordura

Falamos sobre perder o medo da gordura num dos tópicos anteriores. Agora vamos falar sobre a confusão que as pessoas fazem quando o assunto é ingerir mais gorduras e “forçar” a ingestão delas.

É muito legal pensar na ideia de poder comer a gordura natural dos alimentos, não precisar temê-la ou evitá-la. Mas isso não significa que você precise “suplementá-la” no seu dia a dia. Vejo muita gente fritando ovo na manteiga, com bacon e colocando queijo pra “reforçar”.

Reforçar mais do que isso? Se você fritar o ovo na gordura NATURAL do próprio bacon, já está de excelente tamanho. Afinal, o ovo já é rico em gordura na gema (o que nós já aprendemos que não precisamos descartar, certo?)

Esse foi um erro que cometi no início da Paleo. E olha que eu já havia passado pela LCHF antes, hein? Não sei porque eu pirei na gordura, aliás. Até hoje me questiono isso, porque não faz sentido, mas enfim. Já foi e foi bom pra aprender na marra que comer gordura não significa necessariamente comer à vontade e/ou o tempo todo.

11. Ovos, bacon, queijos e só?

Quando a gente se inicia na LCHF, é normal ficar maravilhada com a possibilidade de comer queijos gordos, bacon, manteiga, creme de leite e tudo aquilo que sempre nos falaram pra evitar a vida toda.

Mas tenha sempre em mente que a LCHF não é dieta da proteína e que estamos falando de um estilo de vida que tem tudo pra nos fazer bem e nos deixar saudáveis como nunca. Por isso, não se empolgue demais com os queijos, com o bacon, com o creme de leite e esqueça do que realmente importa: os nutrientes – ou seja, hortaliças e proteínas animais, como deve ser um bom prato lowcarb. Ainda mais se você estiver em emagrecimento, exagerar no consumo de laticínios pode travar o processo e até aumentar sua gordura corporal (não é com todo mundo que isso acontece, mas com a grande maioria, portanto, moderação é a palavra que deve ter em mente nesse caso).

Lembre-se de variar também! Experimente novos sabores, novas texturas. Quando você varia os tipos de hortaliças, proteínas e até mesmo frutas (já falei sobre frutas lowcarb aqui), você garante que seu corpo irá receber uma enorme variedade de nutrientes também – e é isso que queremos, é disso que precisamos!


E vocês?

  • Já cometeram alguns desses erros, ou ainda tão cometendo e só perceberam agora lendo esse post?
  • Eu esqueci de algum erro que vocês acham que precisava estar aqui no post?

Contem pra mim e vamos fazer deste um post maravilhoso pra ajudar muito mais gente que tá nessa nossa pegada ♥

6 Comments

  • Priscila

    October 04, 10 2016 02:41:42

    Sensacional!

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 11:37:04

      Obrigada, Pri! Que bom que curtiu! <3

  • Nathalia

    October 26, 10 2016 06:12:41

    Que blog maravilhoso!!
    Eu já cometi praticamente todos esses erros e tô retomando o rumo da vida novamente, dessa vez com mais calma, mais equilíbrio, sem esperar os resultados obtidos por outras pessoas. Quero fazer o meu melhor e só. Suas dicas estão me ajudando muito, excelente conteúdo…esse jeito divertido de passar informação torna a leitura uma delícia. Muito obrigado!!

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 11:19:50

      Oi, Nathalia! Fico muito feliz mesmo em saber que você gostou do blog, viu? Agora eu estou voltando com ele depois de um período off (a vida acontece do lado de cá da tela e acontece com força, hahaha) e espero continuar ajudando vocês cada vez mais <3 Grande beijo!

  • Jana

    November 07, 11 2016 02:53:36

    Boa tarde, pesquisando no Google sobre a dieta LCHF encontrei seu texto e adorei. Tenho uma dúvida, sou “magra”, peso 58kg e tenho 1,80 de altura, mas assim, tenho uma tendência enorme de acumular gordura abdominal. No dia a dia cuido da minha alimentacao, consumindo carboidratos de boa qualidade e seguindo uma dieta, entretanto nao estou satisfeita com
    Meu corpo (mais especificamente com a barriga) nem com
    A dieta, sou escrava da comida, tenho fome o tempo inteiro. Gostaria de fazer a LCHF mas tenho medo de perder muuuito peso e ficar sem pernas, coxas s bumbum. Minha pergunta, em suma é: a dieta LCHF pode ser seguida por indivíduos magros com facilidade de perder peso?

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 11:04:51

      Obrigada, Jana! Fico feliz que tenha curtido! A LCHF é uma estratégia pra perda de peso, além de abordagem terapeuta pra alguns quadros clínicos. A gordura abdominal é um sintoma clássico de estímulo excessivo de insulina, digamos assim. Mas não tem como perder gordura em um lugar só: você perde no corpo inteiro. Então se quiser dar uma secada com a LCHF, acho legal, mas coloque uma musculação junto pra se sentir mais segura com relação à composição corporal 🙂 E se você achar que a LCHF não tá legal pra você (tá perdendo muito peso etc), mude a estratégia. Acho legal tentar sim, até pra você saber como seu corpo responde a uma dieta de baixo carbo. Beijão!

O que você achou?