Quando a gente inicia um novo esporte é comum cometer alguns erros. Na corrida também é assim. Será que você comete ou já cometeu algum deles?
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Os 9 erros mais comuns entre os corredores iniciantes – e como consertá-los

Correr pode ser intuitivo, mas quando falamos em corrida como esporte, a coisa muda de figura e é comum a gente cometer alguns erros quando somos iniciantes.

Eu também sou super newbie na corrida (são 2 anos na pegada apenas), mas nesse tempo já deu pra aprender um punhado de coisa – e algumas dessas lições foram tão valiosas que eu consegui aplicar em vários aspectos da minha vida (já até comentei sobre algumas delas aqui nesse post).

E essas lições a gente costuma aprender levando na cabeça mesmo, né? Então comecei a recapitular alguns dos erros que eu cometi e outros que vejo as pessoas cometendo, e nasceu esse post. ♥

1. Querer correr muito

Quando a gente começa a correr, assim como em qualquer outro esporte ou treino, é normal se empolgar. Conforme vamos ganhando condicionamento e confiança, a gente vai ficando com mais vontade ainda de ir além: começamos correndo 1k, depois 2k, 3k e por aí vai até chegar nos seus primeiros 21k, 42k etc.

Pelo menos assim é que deveria ser: evolução que acontece aos poucos, porém constante. Mas nem todo mundo tem paciência e consciência. Tem gente que já quer começar correndo 10k. Em menos de 6 meses, já quer fazer a primeira meia maratona.

Calma, jovem gafanhoto! Existe um longo caminho de adaptação pro seu corpo realmente estar preparado pra aumentar volume de treino desse jeito. Não que seja impossível, mas lá na frente sua saúde pode cobrar essa pressa toda. Porque se as lesões pegam até os corredores que se cuidam pra caramba (tipo eu), imagina quem não zela pela sua própria integridade física?

2. Querer correr muito rápido

Aqui a gente parte do mesmo princípio de querer correr longas distâncias logo de cara. Muita gente quer baixar o pace e correr que nem queniano nos primeiros meses de treinamento, quando ainda o corpo tá se adaptando aos esforços da corrida como um todo.

Uma coisa que eu aprendi com meus treinadores da GO é que nem sempre se pode ter tudo: ou você quer treinar longas distâncias ou quer treinar performance.

Claro que é possível juntar as duas coisas, afinal, os recordes pessoais (PR) estão aí pra isso! Mas, na minha humilde opinião, isso é coisa pra se focar lá na frente, depois de um bom tempo de treinamento e quando seu corpo já estiver realmente adaptado à corrida (cardio, musculatura, tendões, ligamentos e técnica).

Não sei se falei besteira quanto a isso, mas é o que parece mais sensato pra mim e o que sinto nas minhas próprias experiências. Acho que depois de algumas lesões, eu acabei indo pro time do “menos é mais”.

3. Ficar se comparando aos outros

Tem gente que se dá melhor com volumes longos e ritmo mais tranquilo. Tem gente que se adapta mais a treinos curtos, porém super intensos. Outros, conseguem achar um ponto de equilíbrio entre os dois.

Não tem fórmula matemática que diga em qual desses você se encaixa: é o seu corpo que vai te dizer mesmo o que vai te fazer bem de acordo com as suas características naturais (sua estrutura física/fisiológica e suas fibras musculares) e como você reage aos estímulos físicos e treinos.

Mas com essa onda “runner” que invadiu as redes sociais no último ano principalmente, onde as pessoas parecem treinar pra exibir tempo e pódiuns, é normal se deixar levar pelas comparações. Eu também caio nessa às vezes. “Puxa, como eu queria correr 21k num pace de 4’30″/km que nem fulana”. Mas daí na hora a razão já bate à minha porta: “com muito treinamento talvez seja possível, mas você quer chegar nisso pra que? Ou melhor: por QUEM?”

E é verdade. POR QUEM você quer correr? Pelos amigos e seguidores no instagram ou por você, pelo seu bem-estar, pela sua capacidade de mudar seus hábitos e se sentir bem consigo mesma?

Nessa noia de ficar se comparando e se exigindo demais, muitos corredores amadores, inclusive eu, acabam transformando um momento prazeroso em uma chateação e uma sobrecarga de stress totalmente desnecessária.

Isso sem falar naqueles que recorrem ao dopping pra conseguir correr melhor ou começam a trapacear nas provas (pegando ~atalhos~ nos percursos) só pra “marcar tempo”, né?

Sério, isso existe e, pra mim, nada justifica se você é um atleta amador que não ganha nada (enquanto profissão, como os atletas de ponta) por correr além de likes e followers nas redes sociais – e no máximo uns gifts de determinadas marcas do segmento. No máximo.

4. Ignorar os treinos musculares

Sabe quando digo que não basta correr, tem que fortalecer? Então!

Muitas das lesões que pegam a gente no meio do caminho é por conta de negligência nos cuidados com os nossos músculos, tendões e ligamentos. Ainda mais quando falamos de corrida, que é um esporte de alto impacto e que vem lesionando cada vez mais gente – um aumento quase que proporcional ao número de novos corredores. Quem me falou isso foi o ortopedista que cuidou da minha última lesão, que disse que aumentou e muito o número de pacientes corredores lá no consultório dele.

Mas como não sou educadora física nem fisioterapeuta, não posso indicar treinamento físico pra vocês. Isso é assunto pra uma outra pauta!

O ideal é sempre trocar uma ideia com profissionais que manjam do assunto e seguir as orientações à risca pra não ser surpreendida por uma lesão. Isso sem falar que uma musculatura preparada aumenta e muito o seu rendimento nos treinos e nos seus desafios pessoais. Ou seja: se joga!

5. Ignorar as orientações do treinador

Já fiz muito isso e o meu treinador já sofreu comigo e com a minha ansiedade de querer correr muito e querer correr rápido. Ops! Been there, done that!

Até que um dia ele me deu uma chamada que eu baixei a bola e passei a seguir a planilha de treinos como ele mandava. O resultado? Os melhores possíveis! Os treinos começaram a deslanchar!

Às vezes, a gente se sente pronto pra ganhar o mundo porque o esporte dá um boost na nossa auto-confiança, mas nem sempre é simples assim. Escutar quem realmente estudou pra montar nossos treinos é essencial.

E se você não concorda ou se tem outras metas (e até dificuldades) com relação ao treinamento, converse com o coach. É na base da conversa que a gente alinha as expectativas, os resultados aparecem e todo mundo fica feliz.

Se você não tem um profissional pra te acompanhar, mas também não tem tempo de frequentar os treinos presenciais de uma assessoria de corrida – ou se não curte mesmo esse ambiente de galera -, uma boa opção é o Corre Online: uma plataforma online de treinamento de corrida com todo o suporte de quem entende do assunto. Cadastre-se aqui pra conhecer tudo sobre o mais novo lançamento da GO Assessoria Esportiva, que acontece oficialmente no dia 25 de janeiro!

6. Ignorar os sinais do corpo

O que você acha que acontece quando a gente se exige demais, pula etapas do treinamento, ignora os treinos musculares e as orientações do treinador e, quando o corpo dá sinais de que algo não tá legal, a gente os ignora também?

É, na maior parte das vezes dá ruim mesmo. Então ouça o que seu corpo tem a dizer: essa é sempre a escolha mais sábia!

7. Copiar o treino do colega

Sabe aquela pessoa que você admira, que corre bem pra caramba e que você bem ou mal acaba se inspirando e se comparando? Bom, pegar o treino dela pra aplicar em você mesma nem sempre é a escolha mais inteligente por motivos de: nem sempre o resultado de lá vai ser o mesmo que o de cá.

E aí entramos em todo aquele papo de individualidade biológica, preparação física etc etc que a gente já tá careca de saber, né?

Então, antes de copiar o treino ou a dieta da colega de treino ou da fulana diva runner/fitness das redes sociais, pare, pense e trilhe você o seu próprio caminho de sucesso =)

8. Desanimar porque (ainda) não deu certo

Não é porque você ainda não conseguiu completar seus objetivos iniciais (como, por exemplo, conseguir correr 5k num ritmo contínuo e confortável) que isso signifique que a corrida não é o esporte mais apropriado pra você.

Pra mim, o  lance do esporte (seja corrida, crossfit, ginástica olímpica ou qualquer outra modalidade) é treinar a cabeça com o mesmo empenho que a gente treina nosso corpo. Porque teremos dias incríveis, e teremos também outros nem tão bons assim. Mas não é porque não deu certo ainda que não vá dar certo nunca, certo?

Tente. Insita. Faça certo até dar certo. ♥

9. Comer (errado) pra “compensar” o treino

“Corri 10k, então posso comer um pote de sorvete porque já queimei as calorias”

“Vou comer uma lasanha inteira porque amanhã vou correr e aí compenso”

Já fiz muito isso e vejo muitas pessoas fazendo isso também. Tem gente que usa a corrida como pretexto pra manter uma dieta inadequada, ou que corre pra poder comer.

Não vou julgar se é certo ou se é errado do MEU ponto de vista porque não sou a dona da verdade. Mas do ponto de vista dos objetivos que a maioria das pessoas busca conquistar com a corrida (perda de gordura e/ou performance), o fato é que a dieta influencia e muito nos resultados que você espera ou precisa.

Então conheça a sua comida e faça dela a sua aliada nos seus treinos. Consequentemente, isso vai te trazer resultados pra muitos aspectos da sua vida, acredite =)

E aí? Você se identificou com algum dos itens acima? Acha que ficou faltando algum erro bastante comum e que eu não falei? Conta pra mim!

Bons treinos ♥

3 Comments

  • Raquel Arellano

    January 19, 01 2016 09:36:22

    Que post maravilhoso, amigs! Mesmo a gente que já tá nessa labuta há algum tempo ainda comete erros bem comuns “do começo”. Acho que o mais difícil é evitar comparações. Aquela ansiedade por resultado, porque você olha o amiguinho e ele em pouco tempo tá “melhor” que você. E é aquela, tem tanta coisa que influencia, né? Peso, biotipo, condicionamento, alimentação… são muitos detalhes!

    Depois do último bode eu decidi que faria por mim, pelo bem estar. E tá sendo lindo desde então! <3

    • Ticiane Toledo

      January 19, 01 2016 04:21:40

      Que bom que gostou, gata! A gente vai mesmo amadurecendo e se livrando fácil de alguns erros. Já outros são mais difíceis, porque mexem com o ego, tipo esse lance de se comparar. Mas acredito que assim como os treinos da planilha, esse exercício de desapegar de comparações e mimimi também tem que ser praticado todo dia. Aí a gente vai tirando o peso e curtindo de verdade a vida e tudo que vem nela =) Super beijo, lindeza!

  • Amanda

    May 17, 05 2016 04:39:52

    Amei o post.

    Meu nome é Amanda, tenho 32 anos, casada, e tenho uma filha de 13 anos, trabalho como auxiliar de faturamento. Gostaria de contar um pouco da minha historia.
    A dois anos comecei a mudança na minha vida. No final de 2010 eu realizei uma cirurgia, retirei a safena da perna esquerda, no pós operatório tive complicações, e tive uma trombose, consequentemente uma embolia pulmonar, fiquei internada na UTI, durante dez dias…. E mesmo depois de tudo isso, eu continuei acima do peso, mesmo sabendo de todos os riscos, não dei muita importância.

    A dois anos atrás, com quase 100 kilos e 1,66 decidi mudar, troquei de departamento na empresa onde trabalho, e as meninas do setor só falavam em academia, (e olha que elas são magras, gostosas) hahahaha, aquilo de alguma forma foi me abrindo os olhos, mexeu comigo. Estava com gordura no fígado, uma gastrite (quase ulcera ) e teria riscos de ter trombose novamente, uma saúde péssima… Foi quando os médicos e minha sogra me deram um choque de realidade.
    Comecei a pesquisar academias, me matriculei e comecei a praticar muay thai, que hoje é a minha grande paixão, comecei a participar de provas de rua de corrida, corro até hoje, amo muito, e treino sempre para melhorar. Um pulmão que quase parou, hoje se dedica a melhorar sempre.

    A mudança tem que partir de nos mesmos, não adianta ninguém falar/insistir…. Tem que dar aquele Tchan…

    Hoje ainda passo com a nutricionista, e eliminei 16 kilos nesses dois anos, e todos os problemas de saúde se acabaram, alto estima lá em cima. Luto diariamente para eliminar os 14 kilos para chegar na minha meta. Treino todos os dias, tiro um dia para descanso. Não importa o tem que demorar, pois de qualquer forma o tempo vai passar mesmo, pelo menos estou melhor que ontem. Atualmente estou com 84, quero chegar aos 70.

    O emagrecimento vai além da estética, é SAÚDE, e enquanto não nos dermos conta disso, ficamos no vicio da má alimentação. E outra não é dieta, e sim um estilo de vida que não pode ser deixado de lado por momentos de prazer (comidas, doces). Quando estou nas provas de corrida, olho para o céu e agradeço a Deus a oportunidade de mudar a minha vida, pois os dias que passei internada, não podia levantar da cama nem para ir ao banheiro, pois poderia ter um AVC, ou uma parada cardíaca, todo o corpo ficava dolorido por permanecer deitada, e hoje estou ai nas pistas da vida, mudando a minha historia de vida.

    Gostaria de incentivar e ajudar pessoas que estão na mesma situação que eu me encontrava, espero ter a minha historia selecionada. Segue algumas fotos, de antes e durante.

O que você achou?