Como vai o seu intestino? Precisamos falar sobre o assunto e quebrar certos tabus!
0 Gostou

Disbiose intestinal: precisamos falar sobre seu intestino

[textão, mas vale a pena, prometo!]

Como vai seu intestino?

Apesar do produto desse comercial não ser de grande coisa, a pergunta é bem válida sim: você já parou pra perceber como vai o seu intestino?

Bom, eu, Ticiane, sempre tive uma relação de amor e ódio com o meu desde sempre.

Minha mãe conta que quando eu era neném, o meu intestino já era tão preso e as fezes tão ressecadas que eu comecei a desenvolver “tipo um pânico” de ir ao banheiro – afinal, eu já sabia que ia doer e que eu ia sofrer naquele momento. Ela disse que tentava de tudo comigo: de papinhas ricas em fibras a supositórios (ela conta que chorava junto comigo nessas horas, eu pela dor, ela por dó de ter que me colocar naquela situação de sofrimento). Até exames específicos já chegamos a fazer, segundo ela, mas os resultados não acusaram nada específico que desse uma resposta sobre o que fazer. Então aceitamos que eu seria assim sempre e pronto.

Pra minha felicidade, ao longo dos anos a situação foi melhorando, mas nunca tive um intestino perfeitamente funcional. Com o passar do tempo, não precisei mais dos supositórios, mas os laxantes me ajudavam de vez em quando quando a situação tava mais complicada que o normal. Só que depender de laxante não é vida, né? Ir ao banheiro 1 vez a cada 2 ou 3 dias e ainda assim com dificuldade também não é vida. Mesmo já tendo “aceitado o destino”, eu continuava incomodada e continuei buscando minhas respostas.

(Des)prazer, disbiose intestinal

Foi aí que, em 2015, junto com o Dr Aloísio Vargas e a nutri Louise Hamoy, comecei a minha jornada “em busca do intestino perfeito” porque comecei a acreditar que era possível sim chegar a isso.

Na nossa primeira consulta, o Dr Aloísio já levantou a lebre da disbiose intestinal, que é a “inversão” na proporção entre bactérias boas x ruins no nosso intestino. Em seguida, ele detectou o hipotireoidismo, que tem relação direta com o funcionamento intestinal.

O Dr Aloísio me explicou que quando não há produção adequada de hormônios tireoideanos, temos um quadro de hipotireoidismo que “desacelera” o metabolismo e isso inclui o funcionamento intestinal, favorecendo inclusive a proliferação de mais bactérias ruins do que de bactérias boas (afinal, o bolo fecal fica mais tempo parado aqui dentro). E quando o intestino adoece e se desrregula a microbiota intestinal, inibe-se também a conversão do T4 em T3 livre (forma ativa do hormônio da tireóide), uma vez que o intestino é um dos principais locais do corpo onde ocorre esse processo.

No meu caso, não dá pra saber quem veio primeiro: a disbiose ou o hipotireoidismo, mas já é pelo menos uma possível resposta. Lógico que existem outros fatores que interferem (veja no tópico abaixo), mas é uma hipótese bastante razoável na minha opinião, pelo menos pro meu caso.

Por que você deveria se preocupar com a disbiose intestinal?

A microbiota intestinal é um superorganismo que fica abrigado no nosso trato gastrointestinal e sua função vai além da nossa digestão e absorção de nutrientes (que já é algo ultra importante). A saúde dessa microbiota vai influenciar diretamente na prevenção ou no desenvolvimento de doenças.

São mais de 10 trilhões de bactérias, mais de 500 espécies diferentes. É bem mais que a população da Terra dentro do nosso corpo!!! E todas elas possuem uma função muito nobre: impedir moléculas ou microganismos patógenos de ganhar a circulação sanguínea e atingir outros tecidos.

O intestino é nosso maior órgão linfóide, sendo responsável por diversas reações imunológicas devido à presença de anticorpos. – Dr Aloísio.

Como a disbiose altera o sistema imunológico, esse distúrbio pode levar inclusive ao surgimento de doenças mais graves: de candidíase de repetição (nas mulheres) a doenças autoimunes (tireoidite de Hashimoto, Lupus, artrite reumatóide) e até mesmo câncer.

 

Disbiose intestinal: principais sintomas e possíveis causas

Os sintomas mais comuns da disbiose são:

  • desconforto abdominal
  • gases
  • inchaço (distensão) abdominal
  • sobrepeso
  • desnutrição
  • irregularidades na evacuação e na consistência das fezes
  • acne
  • humor instável
  • entre outros

Entre as possíveis causas da disbiose estão:

  • uso indiscriminado de antibióticos (eles matam as bactérias ruins sim, mas também matam as boas, como as do nosso intestino)
  • uso de antiinflamatórios hormonais e não-hormonais
  • uso repetitivo de laxantes
  • uso crônico de remédios como Omeprazol (inibidores da bomba de prótons, alterando pH estomacal – que precisa ser ácido)
  • dieta rica em alimentos processados e alergênicos, açúcares, farináceos, carboidratos em excesso (maior fermentação no intestino grosso)
  • stress
  • pH intestinal desequilibrado
  • má digestão

 

Virando o jogo: passos lentos e muita paciência

Então, agora estamos nesse processo de recuperar um intestino com um histórico de pelo menos 27 anos de mau funcionamento. Ou seja: não é algo fácil de se tratar nem rápido, e esse tempo de resposta pode variar de pessoa pra pessoa.

Pra mim, particularmente, tem sido a passos de tartaruga, com altos e baixos, e ainda pareço estar longe de uma resposta. Mas eu não desisto porque pra mim é melhor “perder tempo” buscando estas respostas do que passar uma vida de frustrações.

Por que frustrações?

Porque o intestino influencia em muita coisa, tanto em saúde quanto estética. Ultimamente venho lutando contra dois desconfortos: acne (que vim a ter agora, mas nunca durante adolescência, provavelmente porque eu tomava anticoncepcional) e a dificuldade de ter resultados no emagrecimento (por mais que eu perca gordura corporal, medidas e dobras cutâneas, como aconteceu na dieta do guerreiro, eu não perco medidas em abdômen/cintura). Sem falar nas distenções abdominais quando me alimento.

Ou seja: tô sempre barriguda =(

Como vocês sabem, eu já tenho uma alimentação bem legal, sou bastante ativa fisicamente, me cuido e não poupo esforços pra isso. E não ter os resultados esperados e não me sentir 100% bem é muito frustrante. Mas como eu disse antes: eu não desisto nunca!

Virando o jogo: o que tenho feito

Agora, o grande foco desse meu tratamento é recolonizar o intestino e reverter a disbiose. Então tenho feito uso de pré e probióticos (kefir, sachês e pool manipulado de boas bactérias), além de cuidar ainda mais da alimentação.

De acordo com o Dr. Aloísio, ajustar a alimentação é o primeiro passo pra recuperar o intestino e garantir uma flora intestinal saudável.

As bactérias ruins se alimentam de açúcares e embutidos, essencialmente, e com esses alimentos elas se proliferam numa velocidade assustadora causando efeitos nada agradáveis como prisão de ventre, distensão abdominal, gases, má absorção de nutrientes e muitos outros sintomas. Além disso, a disbiose pode levar ao desenvolvimento de outras doenças, uma vez que, ao debilitar nosso intestino, debilitamos também as defesas do nosso corpo. – Dr. Aloísio Vargas

Além do acompanhamento que eu faço com o Dr Aloísio, eu também sou acompanhada pela nutri Louise Hamoy (ela não tem site nem redes sociais, então quem quiser os contatos dela me avise que eu passo).

De lá pra cá, em termos de dieta, estamos tentando várias abordagens: já tentamos probióticos + amido resistente e até a dieta low FODMAP (que eu não consegui concluir, infelizmente, mas nada impede que no futuro eu tente novamente – falarei em breve sobre isso aqui, enquanto isso, o Google explica do que se trata)

Ainda bem que, por causa da Paleo, a minha alimentação já é de excelente qualidade porque se eu ainda me alimentasse como antigamente, com certeza o estrago estaria BEM pior!

Dicas para virar o jogo você também!

Se você se identificou com os meus relatos, aqui vão algumas dicas do Dr Aloísio de medidas que você já pode adotar a partir desse exato momento:

  • Elimine alimentos pró-inflamatórios da sua rotina, como: glúten, lactose, caseína, açúcar, adoçantes artificiais, gordura trans, conservantes, corantes, embutidos
  • Coma comida de verdade, baseando sua rotina em uma alimentação o mais natural possível e preferencialmente orgânica
  • Consuma probióticos por meio de alimentos fermentados (iogurtes, kefir, chucrute etc) ou por meio de suplementação específica receitada por médico ou nutricionista
  • Consuma prebióticos: fibras não-digeríveis que funcionam como alimento para as bactérias intestinais benéficas (probióticos)
  • Hidrate-se! A água auxilia na formação e na motilidade do bolo fecal pelo intestino
  • Cuide dos seus hormônios, em especial os da tireóide (por motivos que já explicamos rapidamente lá em cima)

Eu espero mesmo poder voltar daqui um tempo contando boas notícias pra vocês sobre esse assunto e podendo compartilhar minhas descobertas e as medidas que deram certo pra mim! Por enquanto, é isso que eu tenho a contar pra vocês sobre o tema “intestino”. Ainda não sei o que acontece comigo exatamente, mas estou atrás de respostas enquanto venho tomando as atitudes necessárias naquilo que está ao meu alcance e sempre acompanhada por excelentes profissionais.

E se você se identificou com tudo o que relatei nesse post, faça o mesmo: cuide-se! Esse é o melhor investimento que você pode fazer na sua vida!

Beijos,
Tici.

10 Comments

  • Carlos Dias

    May 13, 05 2016 12:14:42

    Tici, muito legal o seu texto.

    Legal por poder compartilhar conosco sua experiencia e com isso desanuviar as idéias de quem tem os sintomas mas não sabe o que poderia ser. (Eu sou um deles).

    Gostei bastante do VidaFit By TT… continuarei por aqui!!

    • Ticiane Toledo

      May 17, 05 2016 11:48:07

      Carlos, meu querido! Obrigada pela visita e por me contar que gostou daqui do meu/nosso cantinho. A ideia é todo mundo aprender junto e ficarmos cada dia mais felizes, leves e saudáveis =) Beijão!

  • Mari

    June 20, 06 2016 01:49:59

    Boa tici,achei sua atitude muito bacana , primeiro post que encontrei de um paciente relatando a real vida de uma pessoa com disbiose , sofro com isso desde 15 anos e só agora adulta que fui buscar ajuda profissional , seu relato me dá ânimo para continuar , por que muitas vezes A vontade é de desistir do processo de cura por realmente ter muitos altos baixos! Fique bem e vamos seguir firme ???

    • Ticiane Toledo

      July 05, 07 2016 12:23:56

      Oi, Mari! Tudo bom? Fico feliz que tenha gostado do post e que ele tenha servido como um boost na sua motivação pra continuar se cuidado. Obrigada por compartilhar isso comigo, viu? De fato, não desista. Pense que nós temos uma vida toda pela frente e merecemos vivê-la com qualidade! Intestino é tudo, minha amiga, e é um bicho temperamental, rs Então vamos cuidar dele! Fique bem você também!

  • Juli

    June 23, 06 2016 05:41:35

    Oi Tici, me identifiquei muito com o seu texto. Também sofro desde criança com esse problema. Tenho tireoide e precisei tirar o gluten e mais alguns alimentos da minha alimentação para que o meu corpo funcione e me sinta bem. Minha vida melhorou muito, porém sinto que meu corpo passa por ciclos, tem dias que meu intestino funciona muito bem e tem dias que ele para eu acredito que a tireoide é a principal causa. Abraços…

    • Ticiane Toledo

      July 05, 07 2016 12:08:30

      Oi, Juli! Obrigada por compartilhar a sua história com a gente! Olha, o meu médico e minha nutri vivem falando que intestino é um órgão super temperamental – hoje eu acredito muito nisso. Ele é super sensível a tudo: alimentos, hábitos de vida, desequilíbrios hormonais, EMOÇÕES. Não existe um manual de instruções básico que possa ser aplicado a todo mundo, né? A gente tem que ir se conhecendo, percebendo os sinais do corpo e aí vamos nos adaptando. Altos e baixos são normais, acredito. Temos que buscar nos manter a maior parte do tempo no equilíbrio =) Abraço!

  • Rosana bicudo

    September 28, 09 2016 01:34:20

    Não sabia que disbiose demorava tanto pra sarar. Não é a toa que uso probioticos ja a um ano e nada

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 11:44:09

      Pois é, Rosana. Muitas vezes os probióticos são só a ponta do tratamento e podem ter muitos mínimos detalhes pra serem analisados na reversão de uma disbiose: stress, tireóide, alimentação, sono, medicamentos utilizados etc. Cada caso é um caso. É chata a adaptação no início porque a gente precisa sair da zona de conforto, mas vale super a pena.

  • Adriana

    October 21, 10 2016 01:50:36

    Olá Tici, muito ler este relato! Há 02 anops estou com sintomas de disbisoe, porém somente há 02 meses tive o diagnóstico e a dra. também disse que a recuperação da microbiota. Inmpressioannte que achava que me alimentava bem, mas hj vejo que o excesso de carboidratos (era quase 100% vegetariana) sem o consumo de probióticos arruinou minha microbiota. Força pra nós

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 11:24:25

      Oi, Dri! É verdade. A gente acha que se alimenta bem, mas quando vai ver, não estamos nos ajudando muito né? Aliás, eu acho que um dos pontos cruciais da dieta vegetariana é o excesso de carboidratos e como eles se comportam no intestino – tem vegetariano que para de comer carne, mas continua se entupindo de batata frita, trigo, açúcar etc, além da questão da fermentação dos carboidratos que é bastante individual (tem gente que tem fermentação atípica com brócolis, por exemplo, que é super natural, vai vendo). Não sei se sua médica já te falou sobre FODMAP. Farei um post em breve sobre isso porque é uma abordagem bem legal pra quem tem problemas intestinais, principalmente em termos de fermentação 🙂 Obrigada por compartilhar seu relato comigo e com os outros leitores e sucesso no seu tratamento!

O que você achou?