dieta paleo parte 1 o que é
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Dieta paleo – parte 1: o que é?

Como a maioria de vocês já está cansada de saber, eu aderi à LCHF (Low Carb High Fat)mais sobre o assunto AQUI – em meados de maio de 2014 e venho colhendo resultados fantásticos em termos de saúde e de estética. Exceto o período no início de 2015, quando eu me rebelei (não sei o porquê de ter feito isso até hoje, juro), e botei quase tudo a perder, eu sou só amores por essa conduta alimentar.

Até que, em julho, consegui retomar a LCHF e dar um basta na farra de carboidratos, farináceos e açúcares – a motivação principal foi o tratamento com corticóides e muitos anti-inflamatórios pra me recuperar da tendinite de quadril e o medo de engordar descontroladamente.

Nesse mesmo período, resolvi dar um passo a mais na minha relação com a comida. Foi quando eu fui ao primeiro workshop Paleo do Teco Mendes (SendoPaleo.com), que rolou lá em São Paulo, e saí de lá decidida que era a hora de me lançar na Paleo. Já vinha estudando e lendo muito a respeito. Então o Teco me deu o empurrãozinho necessário. Tks, Teco!

Eu e a Paleo/LCHF hoje

Até o presente momento, são 3 meses de um relacionamento que vem dando SUPER certo. Por isso, já está na hora de escrever aqui pra vocês sobre o tema. Até mesmo porque as perguntas e dúvidas de vocês não param de chegar – e isso é ótimo! Fico feliz que vocês estejam se interessando por uma alimentação mais natural.

Porque, no final das contas, a Paleo pra mim é isso: uma alimentação natural, mais próxima daquela com a qual nós evoluímos e chegamos até aqui, aquela que permite que nossos genes se expressem de fato e da melhor forma possível. Simples assim.

O que acontece é que, hoje em dia, é muito comum as pessoas confundirem com vegetarianismo, alimentação a base de grãos e cereais integrais, tudo zero gordura (low fat). E, ao contrário do que se pensa, gorduras como abacate, óleo de coco e as de origem animal (sim, a manteiga e até mesmo o bacon!) são naturais e boas pra você.

Aliás, o Dr Souto tem uma série de posts falando sobre o colesterol e a cultura da “lipidofobia” em seu blog: parte 1, 2, 34, 5, 6, 7 e 8. Vale MUITO a pena ler e entender como tudo começou e como chegamos até aqui.

Então, pra simplificar a contextualização do que é Paleo, vamos por partes:

O que é a Paleo?

– É um estilo alimentar que acaba transformando o nosso estilo de vida ♥

– É respeitar seu corpo e ouvir seus sinais fisiológicos (isso vale, principalmente, para a fome: na Paleo, só comemos quando sentimos fome, e esse termômetro é pessoal e intransferível; aprenda a ouvir seu corpo e dê a ele o alimento que ele precisa quando ele precisa de fato)

– É comer comida de verdade, abrindo mão de industrializados e comidas artificiais.

– É inverter a pirâmide alimentar, abrindo a cabeça e quebrando paradigmas nutricionais (não, a gordura saturada não vai te matar! É bem mais provável que o açúcar e a margarina “rica em ômega 3” tornem você doente)

piramide alimentar paleo

+ Leia mais sobre o poder viciante do açúcar (e a solução pra esse problema) aqui neste post

Vejam só o que a explicação do coach Teco Mendes no seu livro “Pare de gostar daquilo que te faz mal e emagreça SendoPaleo“:

“Caso você ainda não conheça a Dieta Paleo, vamos dar aqui uma rápida pincelada antes de partir para nossas dicas. Mas já vou avisando: ela vai contra a maioria das ideias sobre dieta que aprendemos, pregamos ou estivemos fazendo.

Também conhecida como Paleolítica ou Primal, essa dieta parte da ideia de nos alimentarmos conforme nossos ancestrais, aqueles antiguinhos, do Período Paleolítico, que abrange de 2,6 milhões a.C. até 10.000 a.C.

Um amigo me disse que assim que soube dessa dieta viu que ela fazia todo sentido: nunca encontraram restos mortais gordinhos de nossos ancestrais  – só pele e osso. Sim, esse meu amigo é magro, por isso está sempre fazendo piadinhas sobre as dietas.

A base dela é que nossos ancestrais evoluíram por milhares de anos se alimentando de caça, vegetais e frutas que eles podiam colher. E sempre se mantendo com ótima agilidade, disposição e energia, caso contrário virariam caça em vez de caçadores.

Gordinho ali não tinha vez. E como temos, praticamente, a genética idêntica a esses nossos ancestrais, nosso corpo está preparado para esse tipo de padrão alimentar. Ou melhor, nosso corpo evoluiu para e com esse padrão alimentar.

A Paleo é, basicamente, uma dieta de baixo carboidratos, não por definição, mas por consequência. E relativamente alta em gorduras, principalmente a temida gordura saturada.

A diferença entre essa e as outras dietas de baixo carboidrato é que, na Paleo, devemos excluir do cardápio –  menos de 150 g por dia – grãos, laticínios, legumes e outras iguarias que nossos amigos das cavernas não comiam.

Restrições menos controversas, até porque fazem parte de toda dieta que se intitula como saudável, são os alimentos processados, óleos vegetais e açúcar.”

Pra mim, penso na Paleo como sendo a alimentação dos meus avós e dos meus pais, na época que eles ainda moravam na roça. É descomplicado porque não precisamos ficar lendo rótulos e listas de ingredientes. É intuitivo porque é natural.

O que NÃO é a Paleo?

– Dieta da proteína

– Dieta Dukan

– Dieta junk food

– Dieta de excessos e compulsões

– Dieta radical

– Dieta de projeto verão

– Dieta de fome

– Dieta de anorexígena

– Dieta da moda (só se for uma moda de muitos milhões de anos, né?)

– Obrigatoriamente uma dieta de baixos carboidratos, mas acaba sendo por consequência, como já disse o Teco ali em cima no seu livro.

– Oportunidade de se empanturrar de gorduras e esquecer dos legumes, verduras, azeite extra virgem e principalmente da água

– Cagação de regras: não existe uma única Paleo e sim muitas linhas e possibilidades.

Mais uma vez eu friso que é preciso estudar e conhecer a sua comida e o seu corpo pra poder montar a SUA Paleo e fazer tudo o que funciona PRA VOCÊ. Conheça o seu corpo – ele é o seu melhor termômetro!

Quem tiver curiosidade pra assistir a essa entrevista da nutricionista Dra Lara Nesteruk ao programa Mais Bonita, vale SUPER a pena:

O que você deve comer?

Basicamente:

– Carnes: vermelhas e brancas (pode e deve manter a gordura natural, se curtir o sabor e a textura, claro)

– Ovos (coma as gemas, afinal, o ovo é o segundo melhor alimento do mundo!)

– Vegetais

Especialmente os que crescem acima do solo, por terem menor índice glicêmico e menos carboidratos; mas você pode consumi-los dependendo do seu objetivo, estágio atual ou até mesmo nos dias de refeed/carb-up (os famosos dias de “carbo da ostentação”)

– Oleaginosas como: castanha do Brasil, macadâmia, amêndoas, nozes, castanha de caju.

– Gorduras naturais como: azeite, manteiga, banha de porco, óleo de coco.

– Frutas de baixo índice glicêmico, ou seja, com baixa concentração de frutose – o açúcar natural das frutas, como: frutas vermelhas, abacate e coco, por exemplo.

Observação: derivados de leite (queijos gordos/amarelos, creme de leite fresco e nata) são opcionais e podem ou não ser incluídos conforme a sua adaptação a esses alimentos (se você é intolerante ou alérgica/o, não consuma) ou até mesmo preferências pessoais (tem gente que não gosta ou não liga, né? Não é meu caso, rs)

Ou seja: suas compras no mercado ficarão muito mais fáceis – basta ir ao horti-fruti e ao açougue!

Veja aqui as dicas da nutri Dra Lara Nesteruk pra montar um cardápio Paleo:

O que você NÃO deve comer?

– Grãos e cereais (até mesmo os integrais)

As aulas de Composição de alimentos na faculdade e a leitura de obras de autores Paleo, embasados por vários estudos científicos, nos ensinam que os grãos e cereais possuem anti-nutrientes aos quais nós não estamos adaptados e que interferem na digestão dos alimentos (e consequentemente no seu uso e absorção), além de aumentar potencialmente as inflamações no nosso corpo, em especial das mucosas do trato gastrointestinal.

– Açúcares (de qualquer tipo: do demerara ao branco/de mesa)

– Alimentos industrializados e processados, com uma lista gigantesca de ingredientes em sua composição

No caso do bacon, por exemplo, opte por aqueles com menos ingredientes possível. Se suas opções estiverem “pau a pau” no mercado, então vá naquela que não possui açúcar em sua composição. Ainda é melhor do que comer pão.

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– Adoçantes artificiais (se for usar algum adoçante, opte pelo Stevia ou Xylitol; em último caso, sucralose, que é o menos pior)

– Farináceos (incluindo a ~aclamada~ farinha de trigo integral)

– Leite (integral ou desnatado, por causa da lactose – o açúcar natural do leite)

– Leguminosas (incluindo soja – alimento transgênico e cheio de fatores anti-nutricionais! – e amendoim)

– Alimentos ricos em amido

O amido é a reserva natural de carboidratos – ou seja, glicose – em alimentos de origem vegetal; logo, é interessante evitar tudo o que for muito denso em amido, como os vegetais que crescem abaixo da terra. Isso vai resultar em menos açúcar circulante no seu sangue e uma glicemia mais estabilizada. Logo, menos fome e menos acúmulo de gordura no seu corpitcho.

Como e por onde começar?

Concordo muito como Teco quando ele diz lá no SendoPaleo e nas suas palestras que o melhor jeito de se tornar Paleo é não começar Paleo.

Mas oi?

A Paleo é uma quebra de paradigmas gigantesca, como eu já disse ali em cima. E todo processo de ruptura leva tempo pra aprender, processar, aprender, colocar em prática, errar, acertar e engrenar de vez.

Algumas sugestões de quem já passou pelo processo:

1. Comece retirando açúcares (até mesmo o demerara, orgânico, mascavo, light, etc) e farináceos (qualquer tipo de alimento ou farinha que contenha glúten ou que possa ter contaminação cruzada por glúten, como a aveia, por exemplo). Só com isso você já vai sentir uma bela diferença!

2. Aos poucos, vá invertendo a sua pirâmide alimentar: diminua a ingesta de carboidratos no seu dia e, aos poucos, vá aumentando a gordura e perdendo o medo dela. (no post da LCHF tem uma lista dos alimentos sugeridos e os que a gente deve manter distância)

3. Enquanto isso, vá lendo, estudando, pesquisando e tirando todas as suas dúvidas sobre a Paleo com seus amigos já adeptos, profissionais da saúde que seguem a linha, autores e produtores de conteúdo.

4. Se precisar de uma segurança maior, procure um profissional de Nutrição ou médico que siga e entenda a Paleo/LCHF pra te ajudar principalmente neste início e nas adaptações da sua nova rotina.

– No SendoPaleo e no blog do Dr Souto existem relações destes profissionais que estão espalhados pelo país (e ainda bem que a lista tá crescendo!)

– Eu conheço alguns profissionais por experiência pessoal enquanto paciente e fico super feliz em indicá-los:

¹ Dra Louise Hamoy – Nutri – SP e Taubaté (SP): louisehamoy.nutri@gmail.com

² Dra Renata Merlino – Nutri – Caraguatatuba (SP): www.inteligencianutricional.com.br

³ Dr Aloísio Vargas – Endocrinologista Funcional e Paleo – São José dos Campos e Taubaté: www.draloisiovargas.com.br

Mas e as vontades?

É tudo muito lindo, mas não se iluda achando que as vontades vão sumir magicamente. A alimentação baseada em gordura vai te ajudar sim, mas tudo depende de você única e exclusivamente. Depende do seu comprometimento em mudar hábitos e padrões comportamentais, o que vai muito além da comida que você coloca no seu prato.

Os primeiros dias podem ser bem difíceis se você não estiver vindo da LCHF e se ainda estiver “contaminada(o)” por açúcares, glúten e uma dieta rica em carboidratos (um “mal” do qual sofrem meus colegas atletas, que acham muito estranho usar a gordura e não os “gelzinhos” como fonte de energia durante uma corrida de longa distância por exemplo). Como já disse lá no post da LCHF, algumas pessoas experimentam sintomas como: fadiga, sonolência, mau humor, dores de cabeça, constipação, baixo rendimento nas atividades físicas e até mesmo nas intelectuais, desejos exagerados por doces e carboidratos, etc.

Mas pense o seguinte: você precisa passar pelo inferno pra chegar ao paraíso. E você chega lá! Alguns se adaptam mais rapidamente do que outros, mas todos nós, com carinho e foco, chegamos lá. Eu cheguei, oras! Logo, você também consegue! =)

Passada a adaptação, as vontades e principalmente a dependência alimentar (aquele docinho depois do almoço, sabe?) vão diminuindo e a vida vai ficando mais leve. Você pode até sentir vontade uma vez ou outra de comer um chocolate, mas essas sensações vão se tornando cada vez mais espaçadas, e o melhor: você é quem vai controlá-las! Você é quem vai escolher quando e SE quer consumir mesmo aqueles alimentos que você já aprendeu na teoria e na prática que não acrescentam nada na sua vida.

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E se optou por comer o chocolate, ok. Viajar é bom, mas voltar pra casa é ainda melhor. Essa é a melhor coisa que a Paleo e a LCHF trouxeram pra minha vida. Eu, de vez em quando, até como algo fora da minha rotina. Mas é quando EU escolho e, logo em seguida, volto super bem à minha dieta habitual. E sinto o maior prazer em voltar à programação normal, podem ter certeza.

Tá tudo muito confuso, né?

Sim, eu sei que isso é o oposto do que fomos ensinados a acreditar e a fazer desde pequenos por nossos pais ou até mesmo depois de adultos por nossos médicos e nutricionistas, além da imprensa, claro.

Eu mesma, antes de começar a LCHF, não entendia como comer gordura poderia ser bom pra saúde e como isso ajudaria alguém a emagrecer! Eu não entendia como o jejum intermitente (tema do próximo post – aguardem!) poderia ser bom pra alguém sendo que fui ensinada a comer, religiosamente, a cada 3 horas.

Mas o grande ponto da Paleo é ABRIR A CABEÇA e estudar. Leia autores como Garry Taubes e esmiuçar blogs como o SendoPaleo, Primal Brasil, Paleo Diário, Blog do Dr Souto, Mais Gordura Menos CarboidratosVida Lowcarb, Café com Manteiga e tantos outros excelentes produtores de conteúdo primal que estão surgindo por aí. Ou seja: alimente-se de boa comida e de bons conteúdos!

O pulo do gato da Paleo é conhecer a sua comida e entender o efeito dela no seu organismo. Você não precisa se formar nutricionista ou médico pra isso. Precisa apenas ter interesse suficiente e amor próprio pra querer o melhor pra sua saúde e pro seu corpo. A partir daí, você vai ter não só segurança e autonomia pra se alimentar pelo resto da sua vida (nutricionistas continuam tendo papel fundamental na nossa alimentação, ainda mais dependendo do seu objetivo ou do seu histórico de saúde, como pedras na vesícula ou síndrome metabólica, por exemplo).

Tudo isso sem sentir fome, sem se prender a marmitas a cada 3 horas e mantendo seu organismo em pleno equilíbrio. E com um corpo equilibrado, já sabemos que a tendência é o emocional e o estético caminharem na mesma direção, não é mesmo? =)

Hoje, eu estudo Nutrição pra poder ter ainda mais conhecimento e autonomia pra compartilhar com vocês os assuntos ligados à alimentação e saúde. No futuro, espero poder ajudar vocês mais na prática com a Paleo e a LCHF. Mas, por ora, continuo aqui estudando, escrevendo, compartilhando aprendizados e experiências e tirando as dúvidas de vocês com o que eu souber. E o que eu não souber, vou atrás de respostas pra gente!

Espero que esse post tenha sido útil pra vocês. Quem tiver dúvidas, manda aí! Quem tiver comentários pra complementar ou corrigir qualquer coisa que eu tenha falado ali em cima, manda aí também!

Vamos tricotar e comer bacon, meu povo! hahah

Super beijo. ♥

20 Comments

  • Chris

    November 09, 11 2015 08:22:11

    Nossa… o Teco abriu os Muzzarellas!! e hoje é coach de não comer farinha e açucar?!?!? como a vida da voltas…

    • Ticiane Toledo

      November 09, 11 2015 10:22:07

      Sim, Chris. Ainda bem que o mundo dá voltas, né? Hoje ele ajuda as pessoas a mudarem também. Bem legal a história dele, aliás. Vale a pena acompanhar lá no SendoPaleo.com só por curiosidade já que você o conhece de longa data =)

O que você achou?