Conhecer o nosso corpo é a melhor forma de cuidarmos melhor dele. Nesse post, um endocrinologista comenta 5 fatos que você provavelmente não conhecia sobre a sua tireóide - e que podem mudar, pra melhor, a forma como você se relaciona com a sua saúde!
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5 fatos sobre a tireoide que você provavelmente desconhecia

Essa é segunda e última parte do post especial sobre a tireóide. Leia a primeira aqui

Depois de falarmos sobre as ameaças silenciosas à tireóide, agora o meu querido Dr Aloísio Vargas, endocrinologista funcional e paleo, conta algumas das curiosidades sobre  o assunto:

1. Os exames tradicionais são insuficientes

Dr. Aloísio: “A  maioria dos médicos costuma solicitar nos exames apenas as taxas do TSH e T4, mas com isso não se tem um quadro real do funcionamento da tireóide. Quando medimos o TSH, vemos se a hipófise está produzindo hormônio para ordenar a produção hormonal à tireóide. Agora, se a glândula vai obedecer a essa ordem, isso são outros 500. E se estiver obedecendo e ativando o T4, temos que saber ainda se a conversão está acontecendo da forma ideal: ou seja, liberando T3 Livre (que “acelera” o metabolismo) e não o Reverso (que “breca” o metabolismo).

Por isso, é comum ver pessoas em tratamento para hipotireoidismo se queixando que não estão tendo resultados satisfatórios: porque nem sempre o que ela está produzindo com a ajuda do medicamento é o T3 desejado – ou seja, o Livre. Muitas vezes, o tratamento pode estar piorando o quadro em vez de ajudar.

Isso sem falar que algumas referências em exames são equivocadas e desatualizadas, como é o caso do TSH, cujos valores vão até 5. Aqui no Brasil, os médicos costumam tratar o paciente quando a dosagem de TSH ultrapassou esse limite, quando, na verdade, nesse ponto a tireóide já se encontra bastante debilitada e o tratamento é muito mais difícil. Então, defendo que o mais lógico é observar os hormonios tireoideanos (T4 livre, T3 livre e T3 reverso) e tratar o quanto antes.”

2. A maioria das pessoas hoje sofre de alguma alteração na tireóide – ou ainda vai sofrer

Dr. Aloísio: “Temo como base para a produção de hormônios tireoideanos o iodo, cujas principais fontes são o sal e alguns frutos do mar (mas estes não são tão habituais na dieta da grande parte das pessoas).

O problema é que o nosso sal, por mais que seja iodado por lei, ainda apresenta baixas quantidades de iodo perto do que necessitamos de fato. Então, ficamos com dificuldade de abastecer e estimular a produção de hormonios tireoideanos via alimentar.

E não é só isso: as glândulas salivares, estômago, próstata e mama utilizam muito iodo para serem de fato funcionais. Quando não há ingesta da quantidade necessária, estes órgãos e tecidos vão buscar algo “equivalente” em outros lugares: como no flúor (pasta de dente, enxaguante bucal), no cloro (água, hipoclorito para limpar saladas, produtos de limpeza etc) e no bromo (brometo, no caso, usado em pães e massas). Então as pessoas acabam com sua tireóide com esses elementos, que vão aos poucos “entupindo” a glândula – e com isso, aparecem os nódulos colóides que costumamos identificar em exames.”

3. Nem toda alteração é disfunção crônica

Dr. Aloísio: “Nem toda alteração ‘para menos’ é hipotireoidismo de fato. Variações pequenas são enquadradas como hipotireoidismo sub-clínicos e devem ser corrigidos desde a detecção para evitar um quadro instaurado de hipotireoidismo lá na frente. A resposta neste caso, por haver preservação de receptores de hormônios, é muito melhor. Lá na frente, para abrir esses receptores novamente, leva-se muito mais tempo e exige-se um cuidado muito maior por parte do paciente.”

4. É possível “checar” sua tireóide em casa

Dr. Aloísio: “Existem duas maneiras de ter uma noção de como está a sua tireóide sem a necessidade de realizar exames no primeiro momento:

1) “Medindo” seu metabolismo basal: com um termômetro, meça a sua temperatura corporal em repouso, logo ao acordar, sem nem se levantar da cama. A temperatura ideal deve ser de 36,5ºC. Em casos de hipotireoidismo, produzimos menos calor, então provavelmente a temperatura estará abaixo desse valor padrão. Já em casos de hipertireoidismo, produzimos mais calor, então provavelmente a temperatura vai estar um pouco acima dessa média.

2) “Medindo” sua concentração de iodo: pingue uma gota de lugol no braço e observe o tempo de absorção. Se usa pele absorver o lugo em algumas horas, a deficiência de iodo é grande. Se a absorção acontecer em 1 dia, seu nível é de médio a deficiente. Se ocorrer em 2 dias, você já está mais saturada de iodo. Mas normalmente, é comum que o lugol seja absorvido já na primeira hora porque a maioria das pessoas apresenta deficiência de iodo, o que prejudica a tireoide como já sabemos.”

5. É possível tratar com medidas nutracêuticas

Dr Aloísio: “Já vimos que a conversão do T4 em T3 livre depende de muitos fatores, dentre eles o cortisol. Mas a alimentação também é essencial nesse processo, pois necessitamos de elementos como selênio, zinco, iodo, complexo B, dentre outros, para o funcionamento ideal da tireóide e a produção de seus hormônios.

E também devemos evitar alimentos industrializados e anti-nutrientes que nosso corpo não reconhece e não consegue absorver. Por isso, é mandatório que um dos tratamentos para disfunções da tireóide seja a adequação da alimentação juntamente com o controle dos picos de cortisol ao longo do dia.”

Aproveite que chegou até aqui e leia esse post sobre modulação hormonal, que mostra a importância dos hormônios na nossa saúde e na nossa qualidade de vida. E se estiver aí debotas só querendo leituras interessantes, aproveite e já emende neste post aqui sobre pílulas anticoncepcionais e o que a maioria dos médicos não conta pra gente a respeito.

E já sabem: se o post foi útil, comente e compartilhe sem medo de ser feliz! ♥

(imagem: arquivos pessoais do Dr. Aloísio)

(imagem: arquivos pessoais do Dr. Aloísio)

Sobre o entrevistado: Dr. Aloísio Vargas

Formado em Medicina pela Universidade de Taubaté (UNITAU). Fez pós- graduação em Medicina Intensiva, no Hospital Israelita Albert Einstein, e em Ciências da Fisiologia Humana pelo Grupo Longevidade Saudável. Trabalha com foco em Medicina Preventiva, acrescentando qualidade à vida de seus pacientes por meio de novos hábitos alimentares, exercícios físicos regulares e níveis hormonais equilibrados. É membro do Grupo Longevidade Saudável, da Sociedade Brasileira para Estudo da Fisiologia (SOBRAF), da A4M The American Academy of Anti-Aging Medicine e da HS – The International Hormone Society.

Fale com o Dr. Aloísio:

Site: http://www.draloisiovargas.com.br/ | Instagram: @dr.aloisiovargas | Facebook: fb.com/draloisiovargas

6 Comments

  • Erika

    January 20, 01 2016 11:05:32

    Oi, eu acho os posts do Dr. Aloísio Vargas super interessantes, o que passam confiabilidade. Eu sou de São Paulo-SP, pena que não conseguiria me consultar com ele. Você(s) teria(m) alguma indicação aqui na capital?
    Obrigada pelos posts! Eles são inspiradores e super úteis 🙂
    Beijos. Adoro o blog!

    • Ticiane Toledo

      January 21, 01 2016 12:50:20

      Que bom que tem sido útil, Erika! O Dr Aloísio foi um achado, viu? Conversei com ele sobre seu caso e ele recomendou o Dr Estevão Borges Jorge:
      Médico – Medicina Longevidade & Qualidade de Vida
      Abordagem Paleo – Low Carb
      Rua Neto de Araújo 320 cj 103 – Vila Mariana – São Paulo – SP
      T (11) 5539 3630 / (11) 5573 9460
      Email.: doutorestevao@gmail.com

      Beijo!

      • Erika

        January 21, 01 2016 01:35:51

        Muito obrigada aos dois!!!
        Beijo, beijo :*

  • Clara

    February 06, 02 2016 01:56:02

    Tici, super parabéns pelo conteúdo do blog! Sou estudante de medicina e bem ~chata~ no que se trata de conteúdo de saúde. Dr. Aloisio é extremamente coerente e atualizado, coisa que anda faltando nos consultórios médicos. Adorei muito tudo relacionado à disbiose (já tem muita pesquisa boa falando sobre o tema com a importância que merece), modulação hormonal e tudo mais. Um abraço grande e, novamente, parabéns!

    • Ticiane Toledo

      February 10, 02 2016 10:28:53

      Clara, SUPER obrigada de coração mesmo pelo seu comentário e pelas palavras! Você é ~crica~ com conteúdo como eu então =) Zelo demais pela qualidade e credibilidade da informação, como a faculdade de jornalismo me ensinou e como meus valores pessoais me norteiam. Não à toa fui atrás de uma graduação de Nutrição pra poder ter embasamento e conhecimento pra poder pesquisar e chegar às minhas próprias conclusões também, além de compartilhar as das minhas fontes e colaboradores do blog, como o Dr Aloísio (que foi um ACHADO na minha vida enquanto paciente e enquanto jornalista e agora estudante de nutrição). A casa é sua também, viu? Fique à vontade pra comentar, sugerir, debater, enfim… Estamos aqui pra isso! Super beijo!

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