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Calma que é aos poucos que tudo se encaixa

Lembram quando eu contei pra vocês de todo o transtorno que eu vinha passando desde a tendinite no quadril? Os corticóides que tomei, o estresse emocional, a mudança brusca na rotina de treinos… Resultado: engordei!

+ a história toda está aqui neste post: “SOS! Engordei de novo”: 7 dicas para quando as coisas saírem do seu controle

Voltei a fazer a LCHF a ferro e fogo em julho, assim que iniciei o tratamento com corticóides, já tentando prevenir retenção excessiva de líquido, aumento anormal de fome e acúmulo de gordura. Aliada à dieta de baixo carbo, eu me iniciei também na Paleo (também tem post AQUI explicando a parada). E mesmo assim não rolou. O primeiro sinal de que as coisas não estavam fluindo bem foi o intestino e seus sintomas que vieram em cascata.

Desde pequena, tenho uma sensibilidade extra quando o assunto é intestino. Já sofri muito com constipação. E aí, foi só tomar o danado do corticóide intramuscular com uma série de anti-inflamatórios (do mais ameno ao mais agressivo), que tudo danou-se de vez!

Agora, além disso, temos a suspeita de algum ~tilt~ na tireóide como consequência disso tudo. Mas sobre esse assunto, vamos esperar pra ver o que os exames e o Dr. Aloísio Vargas (ele só não é o meu médico do meu coração porque não é cardio e sim endócrino ♥) dizem e aí veremos os próximos passos. De qualquer forma, vocês vão sempre estar por dentro dos próximos capítulos dessa história, rs.

Bom, eu admito que andei bastante desanimada desde então. Tanta disciplina, estudos e dedicação e ZERO resultado. Por mais que eu me alimente bem e me exercite diariamente porque AMO me cuidar e porque amo o que faço, existe aquele nosso outro lado que quer sim ver o reflexo desse cuidado todo. E isso não é pecado nenhum. Você priorizar sua saúde não significa que não precise mais ter espelhos em casa. Você querer um corpo fiel às suas condições de saúde e aos seus cuidados não te torna menos feminista.

A minha sorte é que me encontrei nesse caminho e não me vejo mais vivendo de outra forma. Do contrário, eu já teria largado a toalha em dois palitos. Em outros tempos, lá no passado, eu teria feito isso sim, eu sei. Teria desistido mais uma vez e me rendido ao caminho mais fácil e aos meus mimimis. A Ticiane do passado teria se tornado vítima de si mesma, mais uma vez.

Mas que bom que os tempos mudaram! E melhor ainda é saber que eu mudei com o tempo!

Inquieta que sou, fui atrás de ajuda.

(Vale comentar que nem sempre eu fui assim. Durante a maior parte da minha vida, eu me deixei levar pelos meus problemas e esperava que os outros tomassem atitudes por mim e resolvessem meus problemas. Falta de segurança e auto-confiança fazem isso com a gente, né? Ainda bem que consegui virar o jogo)

Encontrei profissionais incríveis, alinhados aos meus pensamentos e estilo de vida e muito dispostos a me ajudar a encontrar respostas e soluções. Nutri, endócrino e meu treinador amado, o André, que em nossos treinos (especialmente nos dias de personal) nunca me deixou desanimar, sempre acreditou e me fez acreditar também que eu estava sim no caminho certo e que, uma hora, o corpo iria voltar a reagir como antes.

E com muita paciência, ao contrário das (minhas) expectativas, parece que as coisas estão voltando aos seus devidos lugares!

Em 30 dias de Paleo adaptada aos meus sintomas, cenários e objetivos, eu consegui os seguintes resultados:

✅ + 1kg de peso corporal (balança)
✅ – 2,5% de gordura
✅ – 1,57kg de peso gordo
✅ + 2,57kg de massa magra
✅ + 5cm de bunda  (efeito da fisioterapia, gente, juro procês! haha)

Eu fiquei SUPER surpresa com esses resultados, porque quando cheguei lá no consultório da nutri, eu não esperava por nada. Aliás, contava até com a possibilidade de ter ganhado gordura nas minhas atuais circunstâncias. As roupas também me enganaram, porque percebi aumento de coxa e bunda, mas não redução de abdômen ou cintura – o que fez com que eu realmente achasse que eu tinha engordado. Mas não!

Ver as dobras cutâneas despencando, as medidas sendo alteradas… Tão bom que eu nem sequer encanei com o +1kg na balança. Aliás, balança a gente deveria desconsiderar como referência principal de resultados, né? A gente já tá cansada de saber disso, mas é difícil desapegar, eu sei – pra mim também é.

Dessa experiência, concluo que:

1. Fazer a nossa parte SEMPRE retorna em resultados positivos. Ainda que não sejam visíveis a olho nu.

2. Em determinados momentos e circunstâncias em que a gente se encontra, é preciso ter paciência redobrada com nosso corpo e com o processo que a gente se propôs a viver.

3. Essa paciência é um desafio diário extremamente árduo e não existem milagres pra segurar a barra nos dias mais difíceis, quando a motivação e a autoestima não estão lá 100%. Você precisa saber o que funciona pra você e desenvolver suas próprias ferramentas pra continuar firme e forte.

4. Peça ajuda. Sempre que precisar, sem medo nem vergonha. Marido/esposa, namorado(a), amigas e amigos, pais, irmãos, nutricionista, médico, treinador… Você não precisa passar por isso sozinha(o). E você não é menos forte ou menos competente por precisar de um reforço das pessoas de quem gosta e em quem confia. Sempre falo isso pra vocês e sempre vou repetir!

5. O conhecimento é a sua melhor arma pra mudar alguma coisa. Não se contente com o que incomoda. Não se conforme com o que você SABE que não está certo. Nós conhecemos nosso corpo melhor do que qualquer outra pessoa – ou pelo menos deveríamos! Ninguém deveria estar fadado a viver uma vida infeliz, de insatisfações, sejam lá quais forem.

6. E se nada estiver errado com você, em termos de Saúde, isso é melhor ainda. Mas não significa que seja fácil: você vai encarar a realidade de que a sua insatisfação (gordura, por exemplo) é consequência dos seus atos, hábitos e comportamentos. E essa mudança é mais delicada do que simplesmente corrigir a tireóide. Exige sair da zona de conforto, se desafiar, fazer aquilo que nem sempre a gente tá afim de fazer. Mas nós não evoluímos de outra forma. É hora de crescer e se responsabilizar pelas suas ações e pelas consequências delas também.

7. Quando você se sente no controle das suas decisões e seguro de que esse é o caminho que quer seguir, as coisas fluem sem sofrimento porque você incorporou a mudança e se sente confortável nessa situação, por mais que os hábitos antigos sejam difíceis de silenciar.

8. Aliás, não sofra por causa de comida. Não sofra porque “precisa” ir à academia. Faça projetos de vida e não “projetos verão”. Mude a sua perspectiva sobre as suas escolhas e viva de forma mais leve!

Hoje eu consigo viver em paz com a minha comida. Eu a conheço e a entendo. Sei por que e quando preciso dela. Sei a diferença entre necessidade fisiológica e vontade emocional. Nem sempre venço a vontade emocional, fato, mas hoje minhas vitórias são muito mais frequentes do que foram a minha vida toda! Hoje, eu até posso sair fora um dia ou outro, mas voltar à minha programação normal é sempre mais prazerosa em vários aspectos. É o tal “viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor ainda”.

9. No final das contas, mudar seus hábitos é uma jornada de auto-conhecimento. E conforme você vai se conhecendo, você vai conseguindo identificar o que é válido pra você e o que não é. Faça a SUA dieta, a SUA rotina de atividades físicas, as SUAS regras. O tal do equilíbrio é isso e não um produto pronto que você encontra na farmácia mais próxima.

10. NÃO PIRE. A vida é feita de momentos – uns bons, outros nem tanto. Não tenha medo dos seus altos e baixos. Aceitá-los não significa se tornar vítima deles, e sim se amar o suficiente a ponto de respeitar uma bad e se dar um tempo pra se recuperar e voltar à ativa com tudo!

11. FAÇA POR VOCÊ. Essa é a sua maior e mais genuína força de transformação.

Então, não desistam do que vocês REALMENTE querem. A gente tá junto nessa!

A minha linha de chegada pode ser diferente da sua, mas nada impede que a gente percorra o trajeto juntos e se apoiando, né?

Beijos!

O que você achou?