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Avaliação biomecânica funcional: o que seus movimentos dizem sobre você?

Não sei se vocês se lembram, mas eu contei há alguns meses sobre o tratamento preventivo que eu venho fazendo com a fisioterapeuta Dra. Bruna Romanelli (se não se lembra ou não pegou a história, veja AQUI). Ela vem me colocando nos eixos, literalmente, e me ajudando a corrigir muitas coisinhas que me atrapalhavam no dia a dia e no meu desempenho – e até a minha saúde – na corrida de rua (não é porque eu sou iniciante e amadora que não preciso me preocupar com isso né?)

E tudo começou quando fizemos nossa avaliação biomecânica funcional (ABF) logo no início, pra Dra Bruna identificar o que é que tava fora do lugar, o que precisava ser corrigido e o que poderia ser melhorado.

Mas o que é ABF?

Só pra vocês entenderem melhor, a ABF contém todas as ferramentas para uma avaliação completa:

1) Anamnese Geral

2) Avaliação Funcional para obter a Análise Qualitativa do Movimento (Avaliação do Gesto Esportivo e de todas as atividades pertinentes)

3) Exame Físico (Testes Ortopédicos e outras Avaliações)

4) Feedback Visual, que é o mais legal de tudo! Esse é o momento onde a gente (paciente) visualiza todas as nossas alterações mecânicas e vícios posturais, além de todos os pontos a serem trabalhados durante a preparação do seu corpo para a prática esportiva em casos preventivos, ou se o caso for tratamento de alguma lesão esportiva ou afecção na coluna vertebral. Nesse momento também é apresentado o cronograma científico de reabilitação.

Segundo a Dra Bruna, já existem comprovações científicas de que o Feedback visual potencializa os benefícios de aprendizagem antes mesmo do início do tratamento! =)

A Dra Bruna me explicando todas as minhas "zicas" no feedback visual

A Dra Bruna me explicando todas as minhas “zicas” no feedback visual

O mais divertido (digo “divertido” porque eu sou uma rata de laboratório e adoro ser estudada, hahaha) é que essa investigação da biomecânica permite identificar alguns pontos bem interessantes, vejam só:

• Os possíveis potenciais de lesões de cada indivíduo: ou seja, quais os vícios posturais que se potencializam com a demanda da corrida ou de qualquer outro esporte que podem acarretar em sobrecargas para seu corpo, podendo trazer prejuízos futuros.

• Todas as particularidades de cada indivíduo: vícios Posturais, alterações mecânicas, biotipo, influências de cargas psicológicas no desempenho físico durante a vida etc.

• As causas mecânicas de uma possível queixa de dor ou desconforto em qualquer local do corpo.

• Informações específicas e particulares sobre o indivíduo, a tarefa (seja um esporte ou simplesmente os movimentos realizados durante o dia a dia no trabalho ou em casa) e o ambiente que o indivíduo está inserido.

A minha ABF 

Quando eu comecei meu tratamento preventivo com a Dra Brunafocamos exclusivamente em um objetivo: minha primeira meia maratona, principalmente já tendo em vista meu histórico de pós-operatório do LCA. E como a corrida é uma atividade de alta demanda física, é preciso que a gente tenha informações e orientações específicas pra cada corpo, afinal de contas, somos diferentes um dos outros e cada um tem suas características, seu biotipo, seus vícios de postura, suas compensações que foram desenvolvidas ao longo dos anos etc.

Alguns cliques da Avaliação. Até me filmar correndo a Dra Bruna filmou!

Alguns cliques da Avaliação. Até me filmar correndo a Dra Bruna filmou!

No meu caso, a Dra Bruna identificou algumas coisinhas e eu pedi a ela que me ajudasse a explicar tudo pra vocês:

“Na ABF da Tici, uma das alterações que me chamou atenção foi a resposta da pelve em relação a movimentação de baixa demanda. A pelve é uma estrutura que recebe e fornece “carga” o tempo todo e, quando ela está em desequilíbrio, é um sinal de alerta.

No caso da Ticiane, havia alguns padrões como:

Retroversão Pélvica (o famoso “bumbum para dentro”), que modifica a mecânica da estrutura, prejudicando a carga que ela recebe e transfere para o corpo;

Sinal de Trendelemburg, que é um desequilíbrio muscular que impede a sustentação pélvica durante atividades em apoio unipodal (num pé só).

Todas essas alterações prejudicam a estabilidade de uma das estruturas mais importantes do nosso corpo: a coluna. Mas pelo que vimos, ainda dava tempo de prevenir e corrigir todas as alterações descobertas.

Aqui, aliás, vai uma boa notícia: TUDO que é mecânico, advindo de alterações funcionais, É CORRIGÍVEL. 

Após a ABF, pude concluir que um dos motivos desses desequilíbrios era causado por um défict na musculatura estabilizadora de tronco inferior – e que não se trata apenas do famoso CORE, e sim de algo muito mais complexo que isso. Nesse quadro, é necessário desenvolver o controle motor seletivando músculos jamais trabalhados antes (como assoalho pélvico, transverso do abdômen, oblíquos, diafragma e multífidos) e desempenhar conscientemente um trabalho neuromuscular com técnicas para esse aprendizado motor.

Também detectei algumas características de movimento que eram desnecessárias para a prática da corrida, ou seja, características que fazem você elevar o gasto de energia para executar o movimento e diminuem a sua segurança:

– Deslocamento Vertical, que são “saltos” desnecessários que deveriam dar lugar ao impulsionamento horizontal – isto é, o deslocamento deveria ser para direcionado frente e não para cima.

– Aterrissagem: o Centro de Massa deveria estar alinhado ao seu COP (Centro de Pressão). Isso quer dizer que o corpo da Tici deveria estar alinhado ao seu membro inferior no momento da aterrissagem no solo, mas isso não estava acontecendo.

Essas e outras características estão sendo corrigidas com medidas fisioterapêuticas simples, e o resultado é imediato. A ideia é que o Gesto Esportivo da Tici se torne cada vez mais funcional para o seu corpo e possa ser mantido por muitos e muitos anos sem trazer prejuízos à saúde das estruturas envolvidas na corrida.”

Primeiras impressões do tratamento e primeiros resultados

Quando eu tive o feedback visual com a Dra Bruna, eu me assustei porque não imaginava que existiam tantos detalhes que poderiam me afetar a curto, médio e longo prazo. Até então, eu achava que corria “normal”.

Mas a questão é a seguinte: enquanto a gente não sente dor ou perdemos nossas capacidades físicas, não prestamos atenção a nós mesmos e ao nosso corpo. Principalmente porque estamos falando de algo que não vemos, porque tá tudo lá dentro da gente (ossos, músculos, articulações). E quando a luz vermelha acender, daí o problema já vai ter se instalado e talvez seja mais chato e/ou mais difícil de consertar se a gente tivesse se prevenido antes.

Já sabendo do meu histórico de lesão, eu não quero correr nenhum risco mais, porque só eu sei o que passei na reabilitação do LCA, as dores que senti e tudo mais. Não quero nunca mais ficar encostada, sem poder me exercitar – essa é a minha verdade absoluta hoje em dia.

No início do tratamento, é tudo muito abstrato e muito difícil de entender. Os músculos que a gente não utiliza são totalmente estranhos e, de repente, somos “obrigados” a recrutá-los e a iniciar uma amizade muito próxima com eles – tarefa no consultório e também em casa. Depois vem a fase de correr pensando em recrutar esses músculos (foi um parto, admito, mas hoje já consigo lembrar deles com mais facilidade).

Ainda não tô naquele ponto de ficar com eles recrutados 24h por dia, mas aos poucos vou chegar lá!

Esses são os danadinhos de quem a Dra Bruna falou ali em cima. Os multífidos tem sido o maior desafio pra mim até agora. Se a gente não os aciona conscientemente, eles ficam bem preguiçosos =(

Diafragma, transverso do abdômen, assoalho pélvico e multífidos: esses são os danadinhos de quem a Dra Bruna falou ali em cima. Os multífidos tem sido o maior desafio pra mim até agora. Se a gente não os aciona conscientemente, eles ficam bem preguiçosos =(

E esses são os músculos do abdômen. Tem muita musculatura que a gente não aciona no dia a dia, nem quando estamos nos treinos. Acabamos ficando apenas nos superficiais. Nesse ponto, a fisio e o Pilates têm me ajudado bastante a alcançar esses danados!

E esses são os músculos do abdômen. Tem muita musculatura que a gente não aciona no dia a dia, nem quando estamos nos treinos. Acabamos ficando apenas nos superficiais. Nesse ponto, a fisio e o Pilates têm me ajudado bastante a alcançar esses danados!

Além disso, comecei também a visualizar o deslocamento pra frente e, com a ajuda do meu treinador (André Santos, da GO), eu consegui até mesmo ampliar a minha passagem e melhorar a forma como eu me desloco (consequentemente, tô melhorando também a minha performance e me cansando menos ♥).

Com certeza a minha coluna vai me agradecer por isso! Pensem comigo: se eu já tenho o “bumbum pra dentro”, a minha coluna acaba não fazendo aquelas “curvas” naturais, que seguram o impacto dos nossos movimentos; agora imagine uma pessoa saltando por vários e vários QUILÔMETROS com uma coluna que não absorve da melhor maneira esse impacto todo do movimento. A médio longo prazo, eu poderia desenvolver uma hérnia de disco, por exemplo. E eu tô de boa disso!

Então, até esse momento, tem dado super certo pra mim e eu já senti melhoras significativas em pouco tempo de tratamento. E olha que isso é só o começo hein? Ainda vamos pra etapa dos exercícios funcionais com todos esses aprendizados em prática. Eu tô bem otimista! =)

Quem deveria fazer o tratamento

Sinceramente?

Todo mundo que deseja melhorar a qualidade de vida e evitar qualquer tipo de lesão, independente se você corre, pedala, joga tênis ou se exerce alguma atividade profissional que judie do corpo.

Digo isso porque hoje eu consigo entender melhor como tudo o que a gente faz no nosso dia (daí você soma isso ao longo de anos) influencia na capacidade funcional do nosso corpo, e consigo entender também as consequências disso. E olha, nosso corpo é uma máquina fantástica demais pra gente cuidar de qualquer jeito, sabe? Temos que ter mais carinho por ele e investir mais nosso tempo (e dinheiro também, muitas vezes) nesses cuidados porque, sem dúvida, vão valer muito a pena.

Como eu quero correr e me exercitar até o dia em que eu bater as botas, eu não meço esforços pra me cuidar =) O investimento na nossa saúde é o melhor que a gente pode fazer!

Se você ficou curiosa(o) pra conhecer melhor o trabalho da Dra Bruna, é só agendar a sua avaliação e falar que leu sobre ela aqui no blog que é sucesso!

E se você tem alguma dúvida sobre esse assunto, escreve pra mim (contato@vidafit.com.br) ou deixa aqui nos comentários, que eu trago a Dra Bruna de volta pra responder tudo!

 

Dra Bruna Romanelli

Profissional de Fisioterapia especialista em Reeducação Funcional do Movimentos pela FMUSP e em Afecções da Coluna Vertebral pela FCMSC-SP.

Telefone: (012) 3209-8747

Local de atendimento: Jardim Aquarius – São José dos Campos/SP

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