aeróbico aeróbio em jejum aej funciona emagrece
0 Gostou

Aeróbio em jejum: só modinha ou eficiência de fato?

Se eu pudesse ganhar R$ 1,00 a cada perfil no Instagram que eu vejo falando sobre o tal do AEJ (Aeróbico – ou Aeróbio – em Jejum), eu já estaria RYCAH. Sério. Não é de hoje que pregam que o danado é “O MILAGRE” pra secar as gordurinhas e divar correndo de top.

Mas antes de dar a minha opinião e a minha experiência sobre a prática, quero compartilhar com vocês a visão de alguns educadores físicos que eu conheço e respeito por serem muito coerentes e sérios na profissão deles. Bóra ver o que eles acham então?

OBS: Eu pedi pra que os profissionais participassem, mas não li a opinião deles até agora justamente pra não me influenciar na hora de fazer o post.

Depende.

Não adianta começar do nada, simplesmente decidir de um dia para o outro cortar a alimentação pré-treino e ir treinar em jejum. Se a pessoa optar por fazer o AEJ, o ideal é que a redução de alimentos ingeridos x aumento do tempo ou intensidade do seja gradativo. E mesmo assim não acredito que seja a solução ideal para todo mundo que queira emagrecer. É uma adaptação muito natural, assim como os resultados também vão variar de pessoa para pessoa e de acordo com a rotina de treinos e a alimentação de cada indivíduo também. Se a pessoa quiser fazer um aeróbico em jejum, o ideal é que ela garanta uma reserva de glicogênio (ou seja: consumindo carboidratos na refeição da noite anterior) para conseguir se sustentar durante a prática sem que isso gere mais ônus do que bônus.

O AEJ é válido para quem acredita nele, faz com acompanhamento devido ou com o mínimo de estudo sobre o assunto e realmente necessita de uma performance em determinada fase do treinamento para atingir um objetivo muito específico que já foi pré-determinado. Mas para pessoas comuns, eu não recomendo porque não há nada que comprove cientificamente a eficácia em atletas amadores e muito menos em pessoas que desejam abandonar o sedentarismo e já pensam em começar por esse caminho.

Acredito mais em resultados quando a pessoa alia uma alimentação adequada a treinamentos intervalados de alta intensidade (HIIT) do que no AEJ por si só.” – André Santos, meu coach na GO Assessoria Esportiva

+ Veja outras colaborações do André aqui no VIDA FIT:

Corrida: benefícios e cuidados básicos

Treino e longevidade: como chegar à maturidade mantendo a atividade

Aprenda a escolher seu tênis de corrida

Sim, não e talvez.

Quando acordamos, estamos praticamente sem glicose na corrente sanguínea, uma vez que estamos, em média, de 6 a 10 horas sem ingestão de alimentos. Por isso a necessidade de um café da manhã energético, para repor os baixos níveis de glicose circulante, e consequentemente, ter energia para fazer exercícios.

Uma pessoa bem treinada, tanto aerobiamente, quanto em exercícios de resistência muscular, tem uma grande capacidade de manter os estoques de glicogênio, ácidos graxos e triglicerídeos intramuscular (aqueles vindos do fígado), o que significa que, se essa pessoa fizer AEJ, terá boas condições de se manter em homeostase (equilíbrio) desde que mantenha uma intensidade baixa, e a duração do exercício não passe de 45 minutos. Mas uma pessoa que não está bem condicionada, ao praticar o AEJ, poderá ter sérios danos no organismos, podendo ocorrer ocorrer tonturas, náuseas, vômitos e até desmaios. Sem benefícios fisiológicos.

Então, se você não é um atleta de alta performance em semana de treinos fortes, nem uma pessoa extremamente bem treinada, o AEJ não é indicado, pois os malefícios de sobrecarga do organismo são altos, em troca de pouca adaptação fisiológica. A maioria da população que frequenta academias, faz em média 4 horas semanais de exercícios, em intensidade moderada,

o que não é caracteriza como exercício de alto rendimento.
Informe-se com seu treinador sobre suas capacidades antes de fazer AEJ, ou outra atividade de risco. O modismo nem sempre é bom para você! Cada indivíduo tem suas características e necessidades.” – Elisa Pritsopoulos, especializada em Fisiologia do Exercício

+ Veja outras colaborações da Elisa aqui no VIDA FIT:

– 10 motivos para não pular o agachamento

– Musculação para emagrecer: entenda o porquê

“O AEJ é uma prática muito arriscada e extremista devido há uma série de fatores, pois o corpo precisa de uma fonte de energia fundamental para o bom funcionamento, a glicose. O nosso cérebro, por exemplo, só funciona na sua presença, quando passamos muito tempo sem nos alimentar, a glicose sanguínea (glicemia) pode cair bastante, instaurando um quadro conhecido por hipoglicemia. Dores de cabeça, tontura, enjoo, náuseas, escurecimento da vista, desmaio e, em casos extremos, coma seguido de morte, são conseqüências da falta de glicose no sangue.

Diante dessa situação porque exercitar-se, submeter o corpo a tais condições?

Pobres são os ganhos e pouquíssimas são as evidencias cientificas em comprovação de sua eficácia comparado ao exercício aeróbio com alguma refeição sólida pré-treino, o qual também é bem pobre em eficiência comparado ao HIIT, se tratando de emagrecimento. Paoli et al. (2011), mostraram que até após 12 horas, essa prática (AEJ) tinha menor gasto calórico total e utilização de gordura insignificante, diferenças as quais se mostraram evidentes após 24horas, interferindo negativamente no metabolismo ao longo do dia, comparado com quem fez alimentação pré-treino, os quais  conseguiram manter o gasto calórico e metabolismo em alta durante os tempos supracitados.

Porém é importante ressaltar que a maioria das pessoas adeptas do AEJ o fazem com o auxílio da ingestão de BCAA, objetivando a manutenção da massa magra durante exercício. E aí é que está uma das grandes incoerências, ao ingerir qualquer substancia calórica, seu corpo sai do estado de jejum (inanição) descaracterizando totalmente o tipo de treino (AEJ).

Bom, a Ciência evolui, o que era hoje amanhã pode não ser mais, bom pra você pode não ser bom pra mim, assim a vida segue. Não sou adepto e não prescrevo, não vejo necessidade alguma em submeter o corpo a esse extremo. O mais importante é filtrar, absorver o que cada qual acha que possa ser aplicável, más é claro, “Achismo’’ não é bacana. Embasamento científico é o segredo.” – Felipe Barreto, pós-Graduado em Fisiologia e Prescrição do Exercício – Treinamento e Reabilitação

+ Veja outras colaborações do Felipe aqui no VIDA FIT: 8 mitos sobre a musculação

“Esse é um assunto muito polêmico que está em pauta nos dias de hoje. Existem aqueles que são a favor e os que são contra o método de treinamento.

Bom, o conceito é simples e fácil de se entender: durante o sono, nosso corpo, para manter as funções vitais ativas, utiliza-se predominantemente da glicose, subtrato energético encontrado em abundância no nosso organismo. Após o sono, e, teoricamente, com esse substrato mais degradado, o pensamento em fazer um treino aeróbio sem nos alimentarmos antes, é de que nosso organismo se utilize das gorduras como principal fonte de substrato energético, não só durante a atividade física, quanto após o treino – o chamado EPOC (Consumo de oxigênio pós-exercício), potencializando, dessa forma, o emagrecimento.

Minha opinião a respeito desse assunto é que, sim, tem um fundamento lógico nessa metodologia, e que pode ser utilizado, de vez em quando, em suas sessões de treinamento. Deve-se atentar para o fato de que, com a “ausência” de glicogênio muscular, além das gorduras, poderemos também utilizar massa muscular como fonte de energia, ou seja, queimar músculos, e isso ninguém quer.

Especialistas indicam que, portanto, o AEJ não deve ultrapassar sessões de 40 minutos, e que não é indicado para qualquer pessoa. Indivíduos com algum tipo de patologia como diabetes, hipertensos, hiperinsulinêmicos, hiper ou hipotireoidismo, entre outros, não podem fazer esse tipo de treino. Vale ressaltar que o acompanhamento profissional de um educador físico e um nutricionista, nesse caso, é fundamental.” – Edu Nogueira, especialista em em Fisiologia e Cinesiologia da Atividade Física e Saúde

+ Veja outras colaborações do Edu aqui no VIDA FIT: como controlar a ansiedade e emagrecer

aeróbico aeróbio em jejum aej funciona emagrece

Deu pra ver que estamos falando de um tema tão polêmico quanto mamilos, né? Ninguém ainda chegou a um consenso definitivo sobre o AEJ. Alguns profissionais e atletas acreditam, outros não, e uma terceira parcela ainda fica em cima do muro.

Como o Felipe bem disse no depoimento dele, a Ciência está aqui justamente pra pesquisar e nos abrir a cabeça com suas descobertas. Pode ser que um dia a gente esse post precise ser revisado porque alguma pesquisa conseguiu REALMENTE comprovar a eficácia do AEJ, mas pode ser também que lá na frente todo mundo perceba que não, essa prática não tem pé nem cabeça. Enquanto isso, a gente fica daqui acompanhando o desenrolar da história pra ver no que dá 🙂

Agora vamos ao que eu acho…

A minha experiência com o AEJ

No início do ano eu testei o AEJ por 1 mês. E não, não deu resultado nenhum pra mim. Continuei do mesmo jeito que comecei a experiência. Não sei se era por causa da minha alimentação que não estava tão orientada como hoje, desde que iniciei uma dieta que segue os princípios da lowcarb, mas sinceramente não fez diferença alguma na minha vida, além de bagunçar meus horários (eu sempre gostei de treinar de manhã, então tive que reservar esse período pro AEJ e fazer o treino regular à noite, quando eu menos produzo no meu dia – ou seja, ficava P da vida).

Hoje, eu me alimento com o que meu corpo precisa antes de treinar (sigo dieta prescrita e customizada pra mim pela nutri Renata Merlino) e tenho resultados MUITO mais satisfatórios tanto em performance – principalmente na corrida – quanto em perda de gordura e ganho de massa magra.

Em março, minha primeira prova: 4k em 27'06. Em junho, minha 4ª prova de corrida: 5k em 27'46".

Em março, mais cheinha (mais ou menos na época em que testei o AEJ, sem sucesso), na minha primeira prova de corrida: 4k em 27’06. Em junho (já com a nova dieta e treinos mais avançados), já mais magra e desinchada, na minha 4ª prova: 5k em 27’46”.

Até pensei em voltar a testar o AEJ com esse meu novo cenário, mas sinceramente me bateu uma preguiça só de pensar em ter que mudar meus horários dos treinos, porque já estão tão acostumada a essa rotina e gosto TANTO que não vale a pena o stress.

Hoje o que eu penso é: não adianta fazer AEJ achando que essa é a solução mágica e descuidar da dieta ao longo do dia. E se você tiver uma alimentação funcional e orientada aos seus objetivos, sintomas, necessidades nutricionais etc você VAI perder gordura e melhorar sua composição corporal com ou sem AEJ. Assim como eu tenho feito hoje. E olha que nem me mato na academia, hein? Meus treinos são curtos (no máximo 50’/dia, exceto os longões de sábado) porém super eficazes, e aí eu busco me manter o mais fiel possível à minha dieta ao longo do dia. Como sou de carne e osso, nem sempre fico no 100%, mas não desisto nunca: falhei numa refeição, já me mantenho firme nas próximas.

Mas por outro lado, eu tenho amigas que simplesmente amam e não dispensam o AEJ porque dizem que super funciona. É o caso da Camila, do Miss Fit, que já até postou algumas fotos falando sobre essa prática que, pra ela que já é super bem condicionada e atleta, funciona bastante. Mas vejam bem: ela não é sedentária há MUITO tempo e tem um ritmo bacana de treinos, além de uma alimentação super regrada. Ela entra no caso que a Elisa disse ali em cima, ok?

E lembrando que quando falamos em AEJ estamos falando em EXERCÍCIOS AERÓBICOS (ou aeróbios, como também são chamados) numa intensidade mais leve e com duração até 40 minutos, segundo especialistas, e não em treino de força bruta na musculação, ok?

Então, amadas e amados, vale ir pela consciência e bom senso de cada um. Só você sabe o que funciona pro seu corpo. E antes de testar, o que eu sugiro é que você converse antes com os profissionais que te acompanham no dia a dia (nutricionista ou nutrólogo e/ou educador físico). Precaução e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém, né?

E vocês, já testaram o AEJ? Quero saber as experiências de vocês 🙂 E se tiverem dúvidas, deixem nos comentários que os treinadores respondem!

3 Comments

O que você achou?