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Aceite seus altos e baixos (ou por que você não precisa estar feliz o tempo todo)

Ah, os altos e baixos…

Tem dia (ou dias) que eu tô ótima, super feliz, inspirada, motivada, criativa, forte, equilibrada. Mas tem dia (ou dias) que nem eu mesma me reconheço: não me dá vontade de falar com ninguém, de sair de casa, nem de fazer nada – absolutamente nada. Podem ter certeza que nesses dias, nem no instagram (@ticianetoledo) eu vou postar. E isso me incomoda. Incomoda MUITO, diga-se de passagem.

Incomoda porque eu não quero ser uma pessoa inconstante, que um dia tá bem, n’outro não. Eu acho isso péssimo pra mim, pra minha produção intelectual, pra minha produtividade e principalmente pra quem se relaciona comigo. Eu evito me queixar, mas isso me deixa muito desconfortável. E por mais que eu tenha aprendido técnicas pra mudar meu estado mental na minha formação em Coaching, tem dia(s) que simplesmente não rola. Nenhuma âncora é capaz de me tirar do meu ostracismo (emocional apenas, que seja), o que só me deixa mais e mais frustrada. E como eu não sou muito boa em lidar com frustrações, fico pior ainda. Nisso, começa a saga do cachorro correndo atrás do rabo.

Enquanto na minha cabeça uma voz fica gritando incansavelmente:  “Você PRECISA ser equilibrada! AAARRRGGHHHH!!!”, do lado de fora eu me esforço pra manter um sorriso e dizer ao mundo “eu tô ótima!”

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Mas vem cá: o que é esse tal equilíbrio? O que é ser uma pessoa, de fato, equilibrada?

“Equilíbrio” x equilíbrio

Um dia, eu conheci uma pessoa que dizia toda orgulhosa ao mundo sobre o quão equilibrado ele era, que não se abalava emocionalmente pelos acontecimentos e pelas pessoas. Quando ele falava isso, 99% das vezes vazia um gesto com a mão, que deslizava numa linha reta e inabalável. Eu ficava me cobrando porque eu não era daquele jeito, uma linha reta, e sim uma sucessão de curvas, nós, aclives e declives. Por que, meu Deus, por que eu sou assim tão desorientada?

Nessa época, eu comecei a achar que eu era bipolar e depressiva, de tanto que essa pessoa me cobrava estabilidade e equilíbrio nas emoções. Nessa época, eu tinha 23 anos. VINTE E TRÊS. O que uma garota de 23 anos sabe sobre equilíbrio e inteligência emocional, gente? Hoje, aos 27 eu continuo não sabendo muitas coisas, mas já entendi outras.

Entendi que eu sou apenas uma pessoa comum e que sempre serei assim. Desse jeitinho, com altos e baixos. E que isso não é significa que tenho alguma patologia psiquiátrica ou que vim com defeito de fábrica. Isso significa que eu sou humana e fruto de coisas que aconteceram comigo até aqui (e que continuarão acontecendo). Mas, hoje, graças à terapia e ao coaching, eu tenho ferramentas pra aprender a lidar com esses acontecimentos e seus desdobramentos na minha vida. Desdobramentos emocionais, principalmente.

Entendi que uma vida equilibrada não é uma vida plana, em linha reta. Uma vida equilibrada é aquela onde a gente aprende a lidar com os altos e baixos e, principalmente, aceita essas oscilações que podem acontecer num mesmo dia.

A vida como eles dizem que é. (imagem: meu desenho)

A vida como eles dizem que é. (imagem: meu desenho)

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A vida como ela é de verdade. (imagem: outro desenho meu)

Hoje, penso que quem vive uma vida sem oscilações emocionais ou vive em eterna negação ou tem alguma psicopatia. Sei lá. Da forma como eu vejo, se somos seres humanos, somos seres emocionais; e se somos seres emocionais, teremos altos e baixos, cazzo!

Por que você não precisa ser feliz o tempo todo

Não precisa porque não rola. Você vai gastar uma energia absurda caçando um equilíbrio distorcido e não vai chegar a lugar nenhum, a não ser a um poço de frustrações.

A real é que você não precisa virar a cara para as emoções não tão legais quanto a alegria. Elas existem por um motivo, e elas são tão importantes quanto os sentimentos felizes.

Tem um filme que mostra exatamente isso: Divertidamente, uma animação muy fofa que eu recomendo.divertida-mente-poster-personagens-camundongo

Não vou contar a história do filme aqui por motivos de preguiça falta de caracteres, mas em resumo ele mostra as principais emoções (Alegria, Medo, Nojinho, Raiva e Tristeza) agindo na mente de uma menina de 11 anos desde o seu nascimento até o momento atual em que se desenrola a história.

A Alegria parece ter cuidado tanto pra que a vida da garotinha fosse perfeita e feliz que nenhuma outra emoção podia estragar isso – muito menos a Tristeza, que era terminantemente proibida de se aproximar das memórias da menina e sempre era menosprezada, deixada de lado. Afinal, ninguém tem paciência pra tristeza e ninguém precisa dela, certo?

Errado!

Em uma determinada cena do filme (spoiler alert!), a Tristeza tem um papel importantíssimo: ela ouve os lamentos de um outro personagem (o amigo imaginário da menina) e, assim, encontra a solução pro problema que as emoções, em especial a Alegria, vinham tentando resolver sem sucesso.

Ou seja: com a tristeza, veio a empatia. E com a empatia, podem vir muitas coisas bacanas, como o carinho e um colo amigo, até mesmo soluções para os nossos problemas.

Isso me fez pensar que a tristeza e a dor não apenas inevitáveis, como elas também são importantes se a gente souber tirar lições delas. Faça as pazes com a tristeza, por mais difícil que isso possa parecer. Aprenda com ela. E demonstre empatia a quem está triste perto de você – isso pode mudar o dia de alguém! ♥

Felicidade 24×7: apenas pare.

O que ferra a vida é a ditadura da felicidade que foi instaurada pela mídia na propagando da família perfeita comendo margarina, das pessoas felizes ao redor do refrigerante, no slogan do supermercado que é “lugar de gente feliz” e até da mulher virando estrelinhas na rua durante “aqueles dias” no comercial de absorvente íntimo.

Lindo, né?

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Isso sem falar nas redes sociais. Ahhhh, lá é todo mundo mais feliz que porco na lama!

Todo mundo tem o cabelo da Gisele Bündchen, já acorda de maquiagem, tem um corpo lindo, o closet mais recheado, faz as coisas mais incríveis, tem as amizades mais sinceras e o trabalho mais realizador – e se não há trabalho, há dinheiro o suficiente pra viver na boa, viajando o mundo inteiro sem preocupação com as contas a pagar. Todo mundo é “good vibes”, mesmo não dando bom dia pro porteiro do prédio.

Na real, tenho dúvidas se isso me motiva ou se me deixa com vontade de me isolar numa ilha deserta e alheia ao sistema.

Dramas à parte, muitos compram essa ideia de uma vida que só existe para poucos e acabam se sentindo um “zé ninguém”. Porque os padrões estão cada vez mais altos e irreais. Cada vez mais precisamos TER para SER. E, com isso, a gente fica se sentindo incompetente e impotente por não conseguir chegar naquele patamar da blogueira X ou da socialite Y.

Mas calma, existe um lado bom!

Ao mesmo tempo que a internet propagou esse “lifestyle”, ela trouxe também a possibilidade de nos conectarmos e nos identificarmos com pessoas “gente como a gente”, que também ficam apertados pra comprar a casa própria, que têm que decidir entre pagar a faculdade ou viajar nas férias, que também têm dificuldade em manter uma alimentação 100% regrada, que também lutam pra perder peso – ou que nem ligam pra isso e querem mais é curtir a vida com uma pochetinha mesmo e tá ótimo!

Então, conecte-se com as suas emoções e com gente que acrescente algo à sua vida, gente que te motive a continuar cuidando da sua vida e não que incentive você a odiá-la por “não ser feliz o suficiente”. E aí vai dar tudo certo ♥

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Hoje, depois de tanto conversar com algumas pessoas sobre essa montanha russa emocional em que a gente vive, eu tenho aprendido a compreender e a aceitar melhor meus altos e baixos e venho me esforçando não só a conviver bem com eles, mas também a aprender com eles.

E isso não tem nada a ver com ser uma pessoa conformada, negativa ou derrotada. Tem a ver com ser uma pessoa normal e que se respeita acima de tudo, não importa quão forte seja a pressão pra que eu ignore minhas emoções e me pasteurize como a grande massa lá fora.

Como eu me sinto agora? Ótima, de verdade. Amanhã eu já não sei. Mas quando eu chegar lá, eu vejo o que faço! Por ora, vou curtir a minha alegria e tá bom demais assim. =)

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9 Comments

  • Ana

    July 29, 07 2015 01:02:52

    Bacana!!! Eu também tenho meus momentos altos e baixos, e procuro textos como o seu para me inspirar e dar a volta por cima.

    Bjos

    • Ticiane Toledo

      July 31, 07 2015 10:04:53

      Ana, sua linda! Muito obrigada! Escrever é algo que me inspira a superar os altos e baixos, então fico MUITO feliz em saber que a minha inspiração também inspira vocês. Vamos que vamos =) Beijão

  • Jorge

    August 31, 08 2015 01:44:07

    Amei as histórias!!! Vou seguir vc por aqui! Abraços

    • Ticiane Toledo

      September 01, 09 2015 12:34:17

      Obrigada, Jorge, pelo carinho e pela visita! =)

  • Gisela Campos

    September 09, 09 2015 02:52:42

    Já tinha lido mas li de novo! haha Muito bom, Tici! A melhor coisa é aceitar que os altos e baixos fazem parte da vida e aprender com eles sempre. “Isso também vai passar…” seja bom ou ruim. Adoro seus textos. Grande beijo ;*

    • Ticiane Toledo

      September 11, 09 2015 11:59:54

      Obrigada, Gi! <3 Super beijo, linda.

  • Bérbara

    October 27, 10 2016 04:51:25

    Pura verdade. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Sl.30:5b

    • Ticiane Toledo

      November 18, 11 2016 11:10:37

      Perfeito!

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