Você sabe quais as principais ameaças da saúde da sua tireóide? Provavelmente, você convive com eles diariamente e nem sabe.
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5 inimigos da tireoide que enfrentamos diariamente

A grande maioria das pessoas já ouviu falar na tireóide, já fez exames pra saber a quantas ela anda, mas mesmo assim ainda não entendeu por que diachos a gente precisa ficar tanto de olho nela. Bom, no meu caso o questionamento é um pouco diferente: de de tanto pesquisar, estudar, conversar com a galera da Saúde e até pelas minhas próprias experiências, hoje eu me pergunto por que as pessoas (incluindo a maioria dos médicos tradicionais) NÃO dão a devida atenção a ela? 

Falo isso porque quem me acompanha pelo instagram (@ticianetoledo – vamos tricotar por lá também!), viu que recentemente iniciei um tratamento pra cuidar da minha tireóide, que não anda 100% (o que me levou a escrever este outro post aqui): o Dr. Aloísio Vargas, endocrinologista funcional e paleo, detectou um hipotireoidismo sub-clínico – coisa que nenhum médico havia se atentado até então – e agora está cuidando de mim ♥

Como eu achei tudo isso super curioso, aproveitei o timming pra bater um papo com o meu querido doctor sobre o assunto. Ele me explicou muita coisa, inclusive as principais causas que podem alterar a nossa tireóide e algumas curiosidades bem interessantes (próximo post! sim, vai ter “parte 2” pra não virar textão, haha), e agora cá estou eu aqui compartilhando com vocês!

Mas antes de chegar nisso, vamos começar do começo, porque pode ser que alguém aqui ainda não esteja familiarizado com o assunto e é importante que todo mundo fale a mesma língua. Se você já manja dos paranauê, pode ir direto ao ponto principal do post, lá pra baixo!

Do começo:

Sobre a tireóide

O termo TIREÓIDE deriva da palavra grega “escudo”, devido ao seu formato anatômico: dois lobos localizada no pescoço, em frente à traqueia (o que faz com que muitas pessoas também comparem seu formato ao de uma borboleta). Trata-se de uma das maiores glândulas endócrinas do corpo e produz hormônios que estimulam o metabolismo e afetam o aumento e a taxa funcional de muitos outros sistemas do corpo, como tirocina (T4) e triiodotironina (T3).

Hormônios tireoideanos: quem é quem na fila do pão

  • T3 Livre: hormônio tireoideano que “acelera” o metabolismo
  • T3 Reverso: ao contrário do T3 Livre, “freia” o metabolismo
  • T4 Livre: reserva hormonal (T3 – Livre e/ou Reverso)
  • TSH: o big boss – quem comanda e ordena a liberação de T3 ao T4, sendo ativado pela hipófise (quem, por sua vez, controla várias glândulas como os ovários, as suprarrenais e a tireoide, claro)

Principais disfunções da tireóide

  • Hipertireoidismo: A produção excessiva de hormônios tireoideanos. Causa nervosismo, palpitações, taquicardia, fraqueza muscular, fadiga, perda de peso com manutenção do apetite, transpiração excessiva, intolerância ao calor e labilidade emocional.
  • Hipotireoidismo: É chamado de “cretinismo” na criança e de “mixedema” no adulto, e provoca má utilização da glicose pelo corpo. Os seus sintomas incluem letargia, intolerância ao frio, ciclo menstrual irregular nas mulheres, retenção de líquido e, por vezes, aumento de peso. ameaças. Há também a tireoidite de Hashimoto, que é a “versão autoimune” da disfunção da tireoide – ou seja, o próprio corpo combate a glândula como se ela fosse um corpo estranho que precisa ser aniquilado.
glândula tireoide

(imagem: www.melhorcomsaude.com)

Agora que já fomos todos apresentados, vamos ao que interessa: as 5 principais ameaças à tireóide!

1. Alimentos obesogênicos

Dr. Aloísio: “O fígado não metaboliza aquilo que ele não entende como sendo alimento, seja por ser um ingrediente que foi criado pela indústria ou por ser um anti-nutriente natural de um alimento (como a soja, por exemplo, que é um dos principais alimentos que jogam contra a saúde da tireóide).

Nesse caso, o fígado ficará trabalhando por horas e horas, deixando em segundo plano o que deveria ser prioridade (no caso, metabolizar nutrientes dos alimentos), sem entender com o que ele está realmente lidando. Então, ele comunica à suprarrenal sobre um possível estado de perigo. A suprarrenal vai alterar o cortisol, que vai mandar um alerta para a tireóide reduzir a produção de T3 livre e aumentar o T3 reverso. Com isso, o metabolismo desacelera para evitar a metabolisação daquele ‘corpo estranho’ e, assim, evita-se que aquelas substâncias consideradas estranhas cheguem às outras partes do corpo (órgãos e tecidos) pela corrente sanguínea tão rapidamente quanto chegariam os nutrientes.

Se o seu corpo não consegue ‘ler’ um determinado alimento, o metabolismo vai ser desacelerado como uma proteção. Mas, uma vez desacelerado, os alimentos consumidos serão estocados em forma de gordura – por isso, um dos sintomas do hipotireoidismo é o ganho de peso e aumento de gordura corporal.”

2. Stress

Dr. Aloísio: “O cortisol e a tireóide andam de mãos dadas. A conversão de T4 em T3 livre depende de vários fatores, e o cortisol é um deles. Quando há alteração nos níveis desse hormônio sem necessidade, há diminuição da produção de T3 Livre e aumento do T3 Reverso. Como vivemos em uma sociedade onde estamos todos estressados a todo momento, é como se o corpo estivesse o tempo todo em estado de alerta. Com isso, estamos o tempo todo produzindo cortisol. Essa enxurrada hormonal gera um efeito cascata que irá afetar diretamente o funcionamento da tireóide. Afinal, nosso corpo quase que por instinto primitivo entende que, sob stress, é melhor armazenar energia para garantir a sobrevivência.

Isso sem falar que esse stress excessivo e constante pode levar à fadiga adrenal crônica, que é quando não há mais como produzir cortisol naturalmente pelas suprarrenais. Temos que pensar sempre que nosso corpo é como um tanque de combustível: quanto mais pisamos no acelerador, mais combustível gastamos. Com o cortisol é a mesma coisa: usamos muito o tempo todo até que, uma hora, a suprarrenal não tem mais como produzir cortisol para continuar ‘alimentando’ esses picos de stress. Essa é uma situação muito mais complicada e delicada, pois afunda o metabolismo, uma vez que o cortisol é responsável por abrir receptores hormonais. Ou seja: trata-se de um hormônio necessário e bastante importante, mas quando é liberado em picos específicos e naturais. Se esses níveis ficam sempre muito abaixo ou sempre muito elevados, estamos agredindo nosso corpo e, consequentemente, a nossa tireóide.”

3. Intestino desregulado ou disbiose intestinal

Dr. Aloísio: “Para que haja a conversão ideal de hormônios tireoideanos, é preciso haver absorção de nutrientes essenciais para essa função – e isso acontece no intestino. Se houver alteração da microbiota intestinal ou até mesmo um caso de disbiose intestinal, haverá alteração na conversão de hormônios tireoideanos como consequência. O intestino influencia a tireóide e a tireóide influencia o intestino: se não houver produção de hormônios tireoideanos, o metabolismo irá desacelerar e, consequentemente, o intestino sofrerá consequências (prisão de ventre, por exemplo). E com esse mau funcionamento intestinal, não há conversão ideal de hormônios tireoideanos, que, por sua vez, impede o funcionamento ideal da glândula e, assim, aparecem os sintomas.

Dentre as principais queixas do hipotireoidismo, sempre há um quadro de “intestino preguiçoso”. Além de ser incômodo e desagradável, o mau funcionamento do intestino aumenta o risco de desenvolvimento de inflamações e doenças, como câncer, por exemplo. Mulheres com prisão de ventre têm até 7 vezes mais chances de desenvolver câncer de mama. E a razão é bastante óbvia: como não eliminamos o que precisa ser eliminado, o bolo fecal parado no intestino permanece ali liberando toxinas e alterando uma série de funções no corpo, inclusive as hormonais e metabólicas.”

4. Dietas restritivas suscetivas

Dr. Aloísio: “Muitas dietas restritivas em seguida aumentam os níveis de cortisol no corpo. Neste caso, estamos falando nas dietas focadas em quantidade de calorias e não na qualidade delas. Por isso, é comum ouvir as pessoas dizerem que antes emagreciam muito e agora não conseguem mais perder nada. E isso fica bem claro quando entendemos que tanto stress gerado por essas tentativas (tanto pela restrição e qualidade ruim dos alimentos, na grande maioria das vezes, quanto pelo stress emocional gerado) simplesmente freiou seu metabolismo a ponto de ele ficar realmente estagnado, pois ele entendeu que aquilo não é legal.

 5. Excesso de atividade física

Dr. Aloísio: “Atividade física é excelente para a saúde do corpo e da mente, mas quando temos treinos em excesso, realizados sem periodização e sem descanso adequado, o jogo se inverte e temos o aumento de cortisol devido à sobrecarga física – e nós já vimos como o cortisol excessivo pode alterar a tireóide. Isso sem falar que, com isso, oxidamos muito mais as nossas células e aceleramos o desgaste do nosso corpo se não houver acompanhamento adequado e aumentamos não só as chances de lesões físicas como também de desenvolvimento de inflamações e doenças.”

No próximo post, vou falar sobre as 5 curiosidades sobre a tireóide que vocês provavelmente desconhecem. Bom, eu pelo menos desconhecia! Acho que vocês também vão gostar. Fiquem de olho!

Aproveite que chegou até aqui e leia esse post sobre modulação hormonal, que mostra a importância dos hormônios na nossa saúde e na nossa qualidade de vida. E se estiver aí debotas só querendo leituras interessantes, aproveite e já emende neste post aqui sobre pílulas anticoncepcionais e o que a maioria dos médicos não conta pra gente a respeito.

E já sabem: se o post foi útil, comente e compartilhe sem medo de ser feliz! ♥

(imagem: arquivos pessoais do Dr. Aloísio)

(imagem: arquivos pessoais do Dr. Aloísio)

Sobre o entrevistado: Dr. Aloísio Vargas

Formado em Medicina pela Universidade de Taubaté (UNITAU). Fez pós- graduação em Medicina Intensiva, no Hospital Israelita Albert Einstein, e em Ciências da Fisiologia Humana pelo Grupo Longevidade Saudável. Trabalha com foco em Medicina Preventiva, acrescentando qualidade à vida de seus pacientes por meio de novos hábitos alimentares, exercícios físicos regulares e níveis hormonais equilibrados. É membro do Grupo Longevidade Saudável, da Sociedade Brasileira para Estudo da Fisiologia (SOBRAF), da A4M The American Academy of Anti-Aging Medicine e da HS – The International Hormone Society.

Fale com o Dr. Aloísio:

Site: http://www.draloisiovargas.com.br/ | Instagram: @dr.aloisiovargas | Facebook: fb.com/draloisiovargas

7 Comments

  • Ielda

    January 20, 01 2016 09:27:59

    Adorei seu site. Já tento seguir esse estilo de vida há 2 anos. Acho que estou sofrendo do mesmo problema de tireóide o Dr. Aloísio é o medico que eu preciso. Endocrinologista e paleo, mas moro no Rio. Você teria algum médico com o mesmo perfil para me indicar? Depois que começamos a seguir um estilo de vida tão diferente do que é propagado por aí também temos que ser mais seletivos até em quem vai cuidar da nossa saúde.

    • Ticiane Toledo

      January 21, 01 2016 12:55:22

      Oi Ielda! Obrigada, querida! Fico muito feliz em saber que curtiu o blog, porque aqui é tudo feito com carinho <3 E concordo que depois que entendemos a paleo e nos encontramos nela, ficamos mais seletivos com a saúde e com os profissionais que cuidam dela. Olha, não conheço ninguém aí no RJ, mas lá no blog do Dr Souto tem uma listagem de profissionais (nutricionistas, médicos e educadores físicos) dividida por estados: http://www.lowcarb-paleo.com.br/2014/05/lista-de-profissionais-de-saude-paleo.html Vi que lá tem alguns médicos endocrinologistas. Talvez possa te ajudar! Depois me conta se deu certo! Beijo

  • Ielda

    January 23, 01 2016 11:27:24

    Obrigada! Vou dar a olhada lá.

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